História da Dança (ENEM Artes): Notas de revisão
História da dança
Introdução à dança
A dança representa uma das formas mais antigas de expressão humana, surgindo junto com os primeiros seres humanos. Através de movimentos corporais, batimentos cardíacos e da simples caminhada, os humanos desenvolveram essa forma única de comunicação e expressão artística.
Diferente de outras artes, a dança utiliza o próprio corpo como ferramenta principal, similar à forma como um pintor usa pincéis e tinta para criar suas obras. O dançarino se serve de seu próprio corpo para transmitir emoções e contar histórias.
As evidências históricas, encontradas em pinturas rupestres nas cavernas, mostram que homens e mulheres já praticavam movimentos dançantes desde os tempos pré-históricos. Esta arte está presente em todas as culturas e povos, podendo ser executada individualmente, em duplas ou grupos, servindo como meio de expressar alegria, tristeza, amor e diversos outros sentimentos humanos.
As pinturas rupestres constituem a prova mais antiga de que a dança acompanha a humanidade desde seus primórdios, demonstrando que esta forma de expressão é universal e atemporal.
A origem e evolução da dança
Dança primitiva
A dança primitiva caracteriza-se por seus movimentos espontâneos, sendo praticada por comunidades inteiras. Geralmente, esse tipo de dança serve para celebrar rituais específicos, como festivais de colheita ou mudanças de estação.
Entre as culturas indígenas, a dança desempenha papel fundamental em festividades ou como preparação para conflitos. Também é utilizada em cerimônias de transição, marcando momentos importantes como a passagem para a vida adulta.
A dança primitiva tinha caráter comunitário e ritualístico, diferindo significativamente das formas de dança que conhecemos hoje. Era uma expressão coletiva que unia toda a comunidade em torno de celebrações importantes.
Danças milenares
As civilizações antigas, incluindo a egípcia e a mesopotâmica, desenvolveram danças com características sagradas, utilizando-as principalmente como forma de honrar suas divindades. Esse tipo de expressão artística ainda sobrevive hoje em países como Índia e Japão.
Na Grécia antiga, a dança também possuía caráter ritualístico, sendo incorporada aos cultos religiosos. Uma das danças mais conhecidas da Antiguidade era aquela realizada durante as festividades do Minotauro ou em honra a Baco, o deus do vinho.
Exemplo de Dança Sagrada Antiga:
Na civilização egípcia, os sacerdotes realizavam danças elaboradas nos templos para honrar deuses como Rá e Ísis. Essas danças incluíam movimentos precisos das mãos e pés, simbolizando a conexão entre o mundo terreno e o divino.
Dança na Europa Ocidental
Com o crescimento do cristianismo na Europa, a dança perdeu gradualmente seu caráter sagrado. A moral cristã considerava o corpo como origem do pecado, criando a necessidade de controlá-lo rigorosamente.
Consequentemente, ao contrário de outras formas artísticas, a dança foi excluída das igrejas e limitada às festividades populares e celebrações em castelos. Esta exclusão marcou profundamente o desenvolvimento da dança na Europa Ocidental.
Durante a Idade Média, podemos identificar diferentes estilos de dança: em pares, em círculo ou formando correntes. Este período dará origem às danças cortesãs e, posteriormente, ao balé como conhecemos atualmente.
Dança no Renascimento (séculos XVI e XVII)
Durante o Renascimento, a dança começou a conquistar reconhecimento como forma de arte, com o surgimento de manuais, professores especializados e pessoas dedicadas ao seu estudo.
Foi na Itália que surgiu o termo "balleto". Através do casamento da princesa florentina Maria de Médici com o rei francês Henrique IV (1553-1610), este estilo chegou à França.
Exemplo Histórico: A Chegada do Balé à França
Maria de Médici (1575-1642) introduziu o "balleto" na corte francesa, onde a palavra se transformou em balé e ganhou prestígio como arte digna de ser praticada pela realeza. Esta transformação cultural marcou o início da era dourada do balé francês.
Posteriormente, durante o reinado de Luís XIV (1638-1715), começaram os primeiros balés dramatizados, incorporando coreografias, figurinos e narrativas com início, desenvolvimento e conclusão. É importante destacar que este rei utilizou o balé para consolidar sua imagem de monarca absoluto.
Na corte do Rei-Sol, destacou-se o compositor Jean-Baptiste Lully (1632-1687), que criou músicas para as coreografias e dirigiu a Academia Real de Música. Esta parceria entre música e dança estabeleceu as bases do balé moderno.
O conhecimento da dança tornou-se essencial na educação da nobreza. As danças mais populares eram o minueto, a gavota, a zarabanda, a alemanda e a giga.
No final do século XVIII, na Áustria e no Império Alemão, surgiu a valsa. Inicialmente, esta dança causou polêmica, pois era a primeira ocasião em que os casais dançavam abraçados e frente a frente. Este ritmo se espalhou por toda a Europa e chegou ao Brasil através da corte portuguesa.
Até os dias atuais, a valsa permanece presente em bailes de debutantes e cerimônias de casamento.
Dança no Romantismo (século XIX)
No século XIX, com o desenvolvimento do movimento artístico romântico, o balé se consolidou como forma de expressão artística reconhecida.
Com o crescimento da burguesia e a construção de grandes teatros, o balé saiu dos salões dos palácios para se tornar um espetáculo público. Na ópera, outra manifestação artística importante desta época, era praticamente obrigatório incluir números de dança.
Exemplo do Auge do Balé Romântico:
Foi na corte russa que o balé alcançou seu auge de criação artística. O compositor Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893), autor de obras como "O Lago dos Cisnes" e "O Quebra-nozes", marcou a criação dos balés românticos que permanecem populares até hoje.
No final do século XIX, as antigas colônias americanas começaram a desenvolver sua própria reinterpretação da música e dança europeias. Desta forma, surgiram o canto gospel nos Estados Unidos, o choro e o samba no Brasil, e o tango na Argentina e Uruguai.
Dança Moderna (século XX)
A dança moderna representou uma ruptura com o balé clássico, ocorrendo na transição do século XIX para o XX.
Com o crescimento das cidades e a expansão industrial, parte da sociedade já não se identificava com o tipo de espetáculo do balé clássico. Surgiram nomes como Isadora Duncan (1878-1927), uma das primeiras a romper com os movimentos rígidos, o figurino tradicional e os cenários grandiosos.
Isadora Duncan preferia roupas simples, dispensava cenários e dançava descalça. Sua obra abriu diversas possibilidades para novas linguagens na dança contemporânea, revolucionando completamente a concepção tradicional de dança.
Dança Contemporânea (séculos XX e XXI)
Denomina-se dança contemporânea toda aquela criada a partir dos anos 1960, do século XX.
Continuando as experimentações da dança moderna, os criadores contemporâneos misturaram teatro e dança, eliminaram a figura do solista e proporcionaram maior igualdade entre homens e mulheres no palco.
Alguns grupos chegaram a dispensar completamente a música em suas coreografias. A busca por novas linguagens é fundamental para a dança contemporânea, caracterizando-se pela experimentação constante e pela quebra de convenções.
A história da dança no Brasil
A dança brasileira resulta da fusão entre os costumes indígenas, africanos e portugueses, criando uma riqueza cultural única.
A forma de movimentação dos indígenas e africanos era muito diferente daquela conhecida pelos europeus. Os africanos escravizados dançavam para honrar seus orixás, e essa maneira de mover o corpo causava estranheza aos portugueses.
Exemplo de Dança Afro-Brasileira: A Umbigada
Uma das danças criadas no século XIX pelos negros escravizados foi a "umbigada". Esta consistia na aproximação de um casal com movimentos do corpo até que tocassem levemente o quadril. Esta dança representava uma forma de resistência cultural e manutenção das tradições africanas.
Outra dança desenvolvida no Brasil foi o maxixe. Neste baile, os casais se abraçavam e davam pequenos saltos. Este gênero popular conquistou compositores como Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga.
No Nordeste brasileiro, uma das danças mais destacadas é o frevo. Este se caracteriza por uma fusão entre a marcha, o maxixe e passos da capoeira, criando um ritmo único e energético que se tornou símbolo da cultura pernambucana.
Pontos-Chave para Lembrar:
- A dança nasceu com os primeiros seres humanos e utiliza o corpo como instrumento de expressão artística
- A dança primitiva tinha caráter ritualístico e comunitário, sendo usada em celebrações e rituais de passagem
- O balé surgiu na Itália durante o Renascimento e se desenvolveu na França, tornando-se arte da corte
- A dança moderna do século XX rompeu com as tradições do balé clássico, buscando movimentos mais livres e naturais
- A dança brasileira é resultado da fusão entre culturas indígenas, africanas e portuguesas, criando ritmos únicos como o maxixe e o frevo