Migrações no Brasil (ENEM Geografia): Notas de revisão
Migrações no Brasil
Introdução às migrações brasileiras
As migrações representam os movimentos de pessoas que se deslocam de seu local de origem para outras regiões ou estados do país. No Brasil, existe um histórico rico de movimentos migratórios internos, especialmente intensos durante o século XX, além de um cenário complexo de migrações internacionais que envolve tanto a entrada quanto a saída de pessoas do território nacional.
Fundamentalmente, podemos distinguir entre dois tipos principais de migração: as migrações internas, que ocorrem dentro das fronteiras nacionais, e as migrações internacionais, que envolvem o deslocamento entre diferentes países.
As migrações brasileiras podem ser compreendidas através de diferentes escalas geográficas e temporais, desde movimentos locais e sazonais até grandes deslocamentos inter-regionais que marcaram a história demográfica do país.
Contexto histórico das migrações internas
O Brasil experimentou seu período mais intenso de migração interna entre as décadas de 1950 e 1980. Durante este período, enormes contingentes populacionais se deslocaram do campo para as cidades, com destaque especial para o movimento de nordestinos em direção à região Sudeste, principalmente nos anos de 1940 a 1980.
Esse processo migratório foi impulsionado pela busca de melhores oportunidades de vida e trabalho. O Nordeste, que ainda enfrentava dificuldades econômicas e períodos de seca, perdeu muitos habitantes para outras regiões, especialmente o Sudeste, que se consolidava como centro industrial e econômico do país.
Com o passar das décadas, esse padrão migratório começou a se transformar. A migração interna tem diminuído consideravelmente, e o Nordeste, que historicamente era uma região de emigração, passou a atrair migrantes, embora com intensidade menor comparada aos fluxos anteriores.
Fatores que influenciam as mudanças nos fluxos migratórios
Desenvolvimento econômico regional
A partir dos anos 1960, iniciou-se um processo de diversificação econômica em outras regiões brasileiras. A criação de Brasília e posteriormente o avanço do agronegócio fizeram com que regiões como o Centro-Oeste e Norte passassem a atrair migrantes. A abertura de estradas como a Belém-Brasília e a criação da Zona Franca de Manaus também contribuíram para esse processo durante a ditadura militar.
Infraestrutura e Migração
O desenvolvimento de infraestrutura de transportes foi fundamental para viabilizar novos fluxos migratórios. As rodovias conectaram regiões anteriormente isoladas, facilitando tanto o deslocamento de pessoas quanto o escoamento da produção agrícola e industrial.
Desconcentração industrial
A partir dos anos 1990, políticas de incentivo fiscal e doação de terrenos por estados e municípios começaram a atrair empresas para diferentes regiões. Este processo estimulou a ampliação da oferta de emprego em locais que anteriormente não eram atrativos para migrantes, reduzindo significativamente o recrutamento de trabalhadores de outras áreas.
Avanço da urbanização
Nas últimas décadas, a urbanização se expandiu pelo Brasil, proporcionando melhorias na infraestrutura de transportes, telecomunicações e energia elétrica. Isso favoreceu a criação de empregos em locais anteriormente menos desenvolvidos. A principal motivação para a migração continua sendo a busca por melhores condições de vida e trabalho, especialmente quando há uma distribuição mais equilibrada das ofertas de emprego e uma busca por outros lugares para morar.
Os novos fluxos migratórios internos
Entre 1995 e 2000, cerca de 3,4 milhões de pessoas trocaram a região onde nasceram por outra, realizando uma migração inter-regional. Entre 2005 e 2010, esse número caiu significativamente, mostrando que este tipo de migração se tornou menos comum devido à expansão de outras oportunidades.
Transformação dos Padrões Migratórios
A redução significativa dos grandes fluxos migratórios inter-regionais indica uma mudança estrutural na economia brasileira, com maior distribuição de oportunidades pelo território nacional.
Tipos de migração interna atual
Principais Tipos de Migração Interna no Brasil Contemporâneo
Migração inter-regional: Acontece entre municípios de um mesmo estado ou entre estados de uma mesma região, sobretudo em direção a cidades maiores.
Migração pendular: Caracteriza-se por um movimento populacional entre dois ou mais municípios onde há uma grande integração demográfica. Este tipo de migração acontece quando alguém estuda ou trabalha em uma cidade diferente daquela onde reside.
Migração de transumância ou sazonal: Representa movimentos migratórios de caráter sazonal, onde pessoas se dirigem para determinadas regiões apenas durante períodos específicos do ano por questões climáticas. Dois exemplos práticos são os gaúchos que durante o inverno levam o gado para regiões de pasto mais verde, e os vaqueiros no pantanal que durante o verão levam o gado para regiões mais elevadas e secas devido ao alagamento das planícies durante a época mais úmida.
Êxodo rural: Fenômeno da categoria de migração em que pessoas se deslocam do espaço rural para o espaço urbano, ou seja, do campo para cidades. Esse processo é motivado principalmente por questões como a industrialização e a concentração fundiária, além do desemprego causado pela mecanização do trabalho no campo.
Migração de retorno: Representa o deslocamento de pessoas para sua região de origem após ter migrado. É o que ocorreu na região Nordeste a partir dos anos de 1980 e 1990.
O Brasil e os fluxos internacionais
Imigração histórica
Em termos relativos, vale ressaltar que na última década houve um aumento de 160% na entrada de imigrantes no Brasil. Tal fenômeno foi provocado em parte pelo crescimento econômico do Brasil no período de 2003 a 2012, que tornou nosso país atrativo para vizinhos, mas também pelos problemas ocorridos em países latinos como a Argentina (que viveu uma grave crise no início dos anos 2000), o Haiti (arrasado por um terremoto em 2010) e a Venezuela (que sofre uma crise econômica desde 2013, mas que se agravou principalmente em 2016 e 2017).
Principais Ondas de Imigração Histórica no Brasil
Os principais fluxos de imigração (entrada de estrangeiros) no Brasil foram:
- Portugueses e escravos africanos (século XVI)
- Italianos e alemães (1850-1900)
- Japoneses (1900-1920)
- Outros grupos de asiáticos (1950-1960)
- Principalmente latinos, como bolivianos e haitianos (dos anos de 1970 até hoje)
Emigração brasileira
Atualmente, não há em nosso país um número expressivo de entrada de estrangeiros nem de saída de brasileiros. Nas últimas décadas, o Brasil não tem se destacado como emissor e tampouco como receptor de migrantes internacionais. Por isso mesmo, a diferença entre o crescimento vegetativo e o crescimento demográfico é pequena.
É importante lembrar também que, em termos absolutos, atualmente não há em nosso país um número expressivo de entrada de estrangeiros nem de saída de brasileiros. Ou seja, nas últimas décadas, o Brasil não tem se destacado como emissor e tampouco como receptor de migrantes internacionais.
A maior parte das migrações envolvendo o Brasil é interna, com destaque para a forte êxodo rural ocorrido do Nordeste para o Sudeste entre os anos 1940 e 1970, e a migração de retorno intensificada a partir dos anos 1990, do Sudeste para o Nordeste.
No passado, houve importantes fluxos internacionais com destino ao nosso país. Os principais fluxos de migração (entrada de estrangeiros) no Brasil foram diversos grupos ao longo da história, desde portugueses e africanos escravizados até imigrantes mais recentes da América Latina.
Pontos-Chave para Relembrar:
- As migrações internas no Brasil foram mais intensas entre 1950-1980, principalmente do Nordeste para o Sudeste
- Os principais fatores que influenciaram as mudanças migratórias foram: desenvolvimento econômico regional, desconcentração industrial e urbanização
- Atualmente, predominam migrações de menor distância (inter-regionais, pendulares e sazonais) em vez dos grandes deslocamentos do passado
- O Brasil historicamente recebeu imigrantes europeus e asiáticos, e hoje recebe principalmente latino-americanos
- A migração de retorno do Sudeste para o Nordeste se intensificou a partir dos anos 1990, invertendo parcialmente o fluxo histórico