Migrações no mundo (ENEM Geografia): Notas de revisão
Migrações no mundo
O que são migrações e suas características atuais
As migrações representam o movimento de pessoas que saem de suas regiões de origem em busca de melhores condições de vida. Esses deslocamentos são motivados por fatores de repulsão (que fazem as pessoas quererem sair de um lugar) e fatores de atração (que tornam outros locais mais atrativos).
Os fatores de repulsão incluem situações como conflitos armados, perseguições políticas ou religiosas, desastres naturais, falta de oportunidades de trabalho, salários muito baixos e instabilidade econômica. Já os fatores de atração envolvem a busca por empregos com melhor remuneração, estabilidade política, melhores serviços de saúde e educação, além de reunificação familiar.
É importante notar que historicamente a maioria dos migrantes era formada por homens, mas nas últimas décadas tem aumentado significativamente o número de mulheres envolvidas nos processos migratórios, fenômeno conhecido como feminização das migrações.
Tipos e classificações das migrações
As migrações podem ser organizadas em diferentes categorias:
Por localização:
- Internas: quando ocorrem dentro do mesmo país
- Externas ou internacionais: quando envolvem o cruzamento de fronteiras nacionais
Por duração:
- Definitivas: quando a pessoa se estabelece permanentemente no novo local
- Temporárias: quando há intenção de retorno ao local de origem
Por motivação:
- Espontâneas ou voluntárias: quando a pessoa escolhe migrar por vontade própria
- Forçadas: quando as circunstâncias obrigam a saída, como no caso dos refugiados
Migrações e desigualdades globais
A dinâmica migratória atual está intimamente ligada às desigualdades econômicas mundiais. A maior parte dos fluxos migratórios segue o padrão de países menos desenvolvidos para países mais desenvolvidos, refletindo a busca por melhores oportunidades econômicas.
Padrão dos Fluxos Migratórios Globais:
As estatísticas mostram que aproximadamente:
- 60% das migrações ocorrem entre países em desenvolvimento
- 37% vão de países em desenvolvimento para países desenvolvidos
- Apenas 3% seguem o caminho inverso, de países desenvolvidos para países em desenvolvimento
Os movimentos migratórios são mais intensos em regiões com grandes desigualdades, onde áreas economicamente prósperas dividem espaço com outras muito pobres. Essa situação é comum em países subdesenvolvidos industrializados, onde as oportunidades de trabalho se concentram em determinadas regiões, deixando outras áreas marginalizadas.
Além disso, tem crescido o fenômeno da xenofobia (aversão a estrangeiros) em muitos países receptores, especialmente em relação a grupos específicos. A islamofobia também se tornou um problema crescente, afetando particularmente migrantes muçulmanos.
Migrações na Europa e Estados Unidos
A Europa tem recebido importantes fluxos migratórios de diferentes regiões. Muitos migrantes vêm de países periféricos em busca de trabalho, mas a região também tem enfrentado ondas de migração forçada devido a conflitos, especialmente do Oriente Médio e África.
O processo de industrialização tardio em países como Portugal, Grécia e Espanha criou movimento migratório para nações mais desenvolvidas como Alemanha, Reino Unido e França.
Após a Segunda Guerra Mundial, a reconstrução europeia demandou grande quantidade de mão de obra, atraindo milhões de trabalhadores de diferentes nacionalidades para suprir a necessidade de reconstruir as economias devastadas pelo conflito.
Nos Estados Unidos, a política migratória tem mudado ao longo das décadas, alternando entre períodos mais restritivos e outros mais permissivos. O país continua sendo um dos principais destinos migratórios mundiais, recebendo pessoas de toda a América Latina, especialmente do México.
Principais fluxos migratórios contemporâneos
Primeira fase (século XIX - início do XX)
Caracterizada pela grande saída de europeus para as Américas, impulsionada pela pressão demográfica na Europa e pela necessidade de mão de obra nas colônias americanas. Cerca de 50 milhões de europeus migraram neste período, principalmente britânicos, alemães, espanhóis, russos e portugueses.
Segunda fase (pós-Segunda Guerra Mundial)
Marcada pela necessidade de reconstrução europeia, que demandou trabalhadores de diferentes nacionalidades. Cerca de 13 milhões de pessoas ingressaram na Europa durante este período. Os principais países receptores foram Alemanha Ocidental, França, Grã-Bretanha, Bélgica, Suíça e Holanda.
Terceira fase (a partir de 1970)
Caracterizada pela diversificação dos destinos migratórios e pelo crescimento das migrações de trabalho. A migração deixou de ser predominantemente europeia e passou a incluir fluxos significativos da Ásia, África e América Latina para países desenvolvidos.
Situação atual das migrações internacionais
Atualmente, a maioria dos migrantes continua se dirigindo principalmente para Estados Unidos e Europa. Um aspecto importante dos movimentos migratórios recentes é a composição familiar: as leis de alguns países favorecem a reunião de famílias de imigrantes já estabelecidos.
No final do século XX, as políticas anti-imigratórias se tornaram mais rigorosas em muitos países desenvolvidos. Mesmo assim, os fluxos migratórios se acentuaram, especialmente da Ásia e África para a Europa, criando novos desafios para as políticas de integração.
As estatísticas mais recentes indicam que o número de migrantes internacionais atingiu a marca de 244 milhões em 2015, representando um aumento de 41% em relação ao ano 2000. A Europa, América do Norte e Oceania concentram cerca de 75% da população migrante mundial, enquanto África, Ásia e América Latina recebem menos de 25% dos estrangeiros.
Pontos-Chave para Lembrar:
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As migrações são movidas por fatores de repulsão e atração, envolvendo questões econômicas, políticas, sociais e ambientais
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60% das migrações ocorrem entre países em desenvolvimento, mostrando que nem sempre o fluxo é dos países pobres para os ricos
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A feminização das migrações é uma tendência atual, com crescimento do número de mulheres nos fluxos migratórios
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As três fases migratórias modernas: saída dos europeus (séc. XIX-XX), reconstrução pós-guerra (1945-1970), e diversificação atual (pós-1970)
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244 milhões de migrantes internacionais em 2015, com concentração de 75% em países desenvolvidos da Europa, América do Norte e Oceania