Europa Ocidental e União Europeia (ENEM Geografia): Notas de revisão
Europa Ocidental e União Europeia
Conceitos fundamentais sobre a Europa
Quando observamos um planisfério, podemos perceber que a Europa e a Ásia fazem parte de um extenso e contínuo território. Por isso, alguns estudiosos consideram que esses dois continentes formam um único continente denominado Eurásia, que combina Europa e Ásia.
A Europa como conhecemos hoje possui uma separação que possibilita um estudo único para cada um desses continentes. Esta divisão tem base em um aspecto histórico-cultural, o que nos ajuda a compreender melhor as grandes diferenças entre esses povos.
A separação entre Europa e Ásia não é apenas geográfica, mas fundamentalmente baseada em diferenças históricas e culturais que moldaram as civilizações ao longo dos séculos. Esta divisão conceitual permite uma melhor compreensão das características distintas de cada região.
Para entender a separação da Europa da Ásia, utilizamos um limite natural: os Montes Urais, que são uma cordilheira que se estende do norte a sul no território da Rússia. O sul das montanhas do Cáucaso e o mar Negro também possibilitam essa separação geográfica.
A Europa desenvolvida (Europa Ocidental)
Existem grandes diferenças econômicas entre os países europeus. A porção ocidental desse continente (estudada neste módulo) reúne as nações capitalistas mais ricas, de maior desenvolvimento industrial e de elevada renda per capita anual. Já a porção oriental, ou leste europeu (estudada no módulo 20), é formada por nações com renda per capita anual menor que a de sua vizinha, sendo antigas países socialistas.
A divisão econômica da Europa reflete o impacto histórico dos diferentes sistemas políticos e econômicos que prevaleceram durante o século XX, especialmente durante o período da Guerra Fria.
O setor industrial na Europa Ocidental
A Europa se destaca no processo industrial desde os séculos XVIII e XIX. Por isso, o setor secundário se caracteriza por ser amplo, moderno e diversificado, tendo desde indústrias de base (siderúrgicas e metalúrgicas, por exemplo) até as indústrias de tecnologia de ponta (informática e aeroespacial, por exemplo).
Porém, é importante lembrar que existe uma diferença no padrão industrial dos países. Grécia, Portugal e Espanha são países com uma industrialização relativamente tardia quando comparada a outros países do continente como Inglaterra, Alemanha e França, por exemplo.
Apesar dessas disparidades no continente europeu, as desigualdades são pouco acentuadas, o que demonstra um desenvolvimento econômico mais equilibrado entre as nações - característica fundamental que diferencia a Europa Ocidental de outras regiões do mundo.
O Brexit e suas consequências
O que é o Brexit
O termo "Brexit" é uma abreviação de "British Exit" (em português, saída britânica), que representa a saída do Reino Unido da União Europeia.
Composição do Reino Unido
O Reino Unido é formado por:
- Grã-Bretanha: formada por Inglaterra, País de Gales e Escócia
- Reino Unido: formado por Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte
O processo do Brexit
O Reino Unido fez parte da União Europeia desde 1973, quando esse bloco econômico ainda era conhecido como Comunidade Econômica Europeia. Depois de um período sendo um membro antigo, após um plebiscito realizado em 23 de junho de 2016, onde 72% dos eleitores britânicos participaram (46,6 milhões de pessoas), os britânicos decidiram pela saída do bloco.
Resultado do Referendo do Brexit:
- 52% votaram pela saída
- 48% votaram por permanecer
- Fim de um período de quase 47 anos na União Europeia
Entre os principais motivos apontados por aqueles que apoiaram essa saída, destacamos:
Principais argumentos dos defensores do Brexit:
- A saída do bloco iria liberar verbas (cerca de 350 milhões de libras) para serem aplicadas na saúde
- A permanência no bloco representava a falta de controle sobre quem entrava e saía do país, portanto, o argumento central era de que a saída possibilitaria que o país pudesse retomar o controle das fronteiras e consequentemente garantir a soberania nacional
Consequências políticas do Brexit
No campo político, as consequências foram de mudanças expressivas. O primeiro-ministro na época em que o plebiscito foi realizado, David Cameron (que apoiava a permanência na União Europeia), renunciou do cargo após a escolha da maioria pela saída. Com isso, Theresa May assumiu o cargo após uma disputa interna pelo partido conservador.
A primeira-ministra britânica Theresa May conduziu sem sucesso por quase três anos o Brexit. Após várias tentativas de acordo rejeitadas três vezes no Parlamento britânico, ela foi forçada a sua saída após um intenso desgaste. Em julho de 2019, Boris Johnson foi eleito para ocupar o cargo, afirmando que a saída da União Europeia ocorreria até o prazo de outubro de 2019, com ou sem acordo.
Cronologia do Brexit:
2016: Referendo sobre a permanência na UE (23 de junho) 2016: David Cameron renuncia; Theresa May assume como primeira-ministra 2017-2019: Theresa May negocia sem sucesso o acordo do Brexit 2019: Boris Johnson assume como primeiro-ministro 2020: Brexit é finalmente concretizado (31 de janeiro, às 23h - horário do Brasil)
O Brexit finalmente foi concretizado às 23 horas (horário do Brasil) do dia 31 de janeiro de 2020, após um longo período de negociações que duraram mais de três anos.
Principais consequências do Brexit
Caso um acordo não seja estabelecido nesse período de transição, a saída ocorrerá sem acordo e os britânicos irão pagar as tarifas de compra e venda estipuladas para países não pertencentes ao bloco (a questão comercial é um problema visto que a União Europeia representa quase que 50% do comércio realizado pelo Reino Unido).
Entre as principais questões que permanecerão em discussão estão:
- Regras de habilitação e passaporte para circulação de cidadãos europeus e britânicos entre o Reino Unido e a União Europeia
- Permissões de residência e trabalho para europeus e britânicos
- Questões de comércio como tarifas de importação (anteriormente a União Europeia e o Reino Unido formavam uma zona de livre comércio)
- Regulamentação e licenciamento de medicamentos
- Circulação de alimentos
O Tratado de Roma e o surgimento do bloco europeu
Em um mundo ainda se recuperando dos efeitos devastadores da II Guerra Mundial, seis países do velho Continente (Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo) criaram em abril de 1951 a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Naquela época, políticos e pensadores europeus concluíram que a cooperação entre os países seria uma forma de neutralizar rivalidades e trabalhar a favour da estabilidade na região.
A criação da CECA representou uma resposta inovadora aos conflitos que devastaram a Europa. A ideia central era que países economicamente interdependentes teriam menos incentivos para entrar em guerra uns contra os outros.
Firmado em 25 de março de 1957 pelas mesmas nações idealizadoras da CECA, o Tratado de Roma deu origem à Comunidade Econômica Europeia (CEE). Ele previa o estabelecimento de um mercado comum entre os países membros, com uma gradual abolição de tarifas alfandegárias. Ao eliminar barreiras comerciais, a CEE visava ao progresso econômico e social do bloco e à diminuição das disparidades entre os países.
O Tratado de Maastricht e a consolidação da União Europeia
Em 2017 foram completados também os 25 anos do Tratado de Maastricht, que instituiu oficialmente a União Europeia. Com esse acordo, foi constituída uma união econômica e monetária entre os países da Comunidade Europeia que, naquela época, já contava com 12 membros. Reino Unido, Irlanda e Dinamarca haviam se juntado ao bloco em 1973; a Grécia tornou-se membro em 1981; e Portugal e Espanha foram admitidos em 1986.
Expansões sucessivas da União Europeia:
- 1973: Reino Unido, Irlanda e Dinamarca
- 1981: Grécia
- 1986: Portugal e Espanha
- 1995: Áustria, Finlândia e Suécia
Além da integração econômica, a política externa e de segurança e a cooperação policial e judiciária foram dois pilares fundamentais definidos pelo Tratado de Maastricht, assinado em 1992 na cidade holandesa de mesmo nome. Três anos depois, o bloco ganhou novos membros: Áustria, Finlândia e Suécia. Desde então, a União Europeia aumentou de tamanho - hoje são 28 países-membros - e criou mecanismos que aprofundaram a integração continental.
As características do bloco europeu
Ao longo dos anos, a UE se consolidou como um dos mais ambiciosos projetos de integração do globo, baseado em mecanismos que aprofundam a interdependência dos países-membros em diversos aspectos: Econômico, Fiscal, Migratório e Político.
Aspecto econômico
Além do mercado comum, que elimina as tarifas alfandegárias, a UE introduziu uma moeda comum, o euro, que passou a circular oficialmente em 1º de janeiro de 2002. Dezessete dos 28 países da UE adotaram atualmente a moeda. Reino Unido, Dinamarca, Suécia, Bulgária, Croácia, Hungria, Polônia, República Tcheca e Romênia não fazem parte da zona do euro, e mantêm suas próprias moedas.
A criação do euro representou um marco histórico na integração europeia, sendo a primeira vez na história moderna que países soberanos voluntariamente abdicaram de suas moedas nacionais em favour de uma moeda comum supranacional.
Aspecto fiscal
Desde a introdução do euro, a UE determina duas medidas principais para o equilíbrio orçamentário: o déficit não pode ultrapassar 3% do PIB, e a dívida pública não deve ser superior a 60% do PIB. No entanto, a crise iniciada em 2008 expôs a fragilidade das contas públicas da maioria dos países-membros, que ignoraram as recomendações fiscais.
Critérios de Convergência de Maastricht:
- Déficit público ≤ 3% do PIB
- Dívida pública ≤ 60% do PIB
Estes critérios são fundamentais para manter a estabilidade da zona do euro, mas a crise de 2008 demonstrou as dificuldades de sua aplicação prática.
Aspecto migratório
Um dos maiores símbolos da integração europeia é o Tratado de Schengen, instituído inicialmente em 1985, antes mesmo da criação formal da UE. Ele garante a livre circulação entre os cidadãos do bloco. O acordo abrange 26 países europeus, dos quais 22 são membros do bloco e quatro não fazem parte dele (Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein). Irlanda, Romênia, Bulgária, Chipre e Croácia integram a UE, mas não adeririam ao Schengen.
O Espaço Schengen permite que cidadãos europeus viajem entre os países participantes sem controles de fronteira, criando efetivamente uma área de livre circulação que beneficia milhões de pessoas diariamente.
Aspecto político
O Tratado de Lisboa, que entrou em vigour no fim de 2009, é uma espécie de Constituição Europeia. Ele define a criação das instituições, como o Banco Central, que estabelece a política monetária para os países da zona do euro, e o Parlamento Europeu, composto por 751 eurodeputados e que tem entre suas principais funções a aprovação de leis e orçamentos e a fiscalização das outras instituições da UE.
A crise europeia
A crise na Zona do Euro
A crise na Zona do Euro começou por conta de problemas fiscais, ou seja, muitos países gastaram mais do que conseguiram arrecadar em impostos. Dessa forma, eles passaram a contrair dívidas. Muitas nações tinham uma dívida bem maior que o PIB Nacional.
Causas da Crise da Zona do Euro:
- Gastos públicos superiores à arrecadação
- Dívidas nacionais superiores ao PIB
- Perda de confiança dos investidores internacionais
- Efeito dominó da crise imobiliária americana de 2008
Muitos investidores começaram a ter medo de aplicar seu dinheiro nos países europeus e desconfiaram que eles não seriam capazes de quitar suas dívidas. Em 2007, passou-se a desconfiar de uma bolha imobiliária nos Estados Unidos que foi confirmada em 2008 em uma crise que afetou diversos países, fechou bancos e deixou milhares de pessoas desempregadas.
Países mais afetados
Os países que estão ajudando a organizar a força tarefa para reduzir os problemas financeiros da Europa são Alemanha e França. Porém, essas medidas são de médio e longo prazo e milhares de europeus sofrem com o desemprego.
A crise atingiu todos os países da Zona do Euro que viviram sua moeda comum sofrer fortes quedas. Espalharam-se receio de que a crise chegasse à mesma força que outros países. Em 2010 e 2011, vários países sofreram com intensos protestos e manifestações populares contra as chamadas medidas de austeridade (cortes em benefícios, redução das ofertas de emprego e aumento dos impostos).
Exemplo das Medidas de Austeridade:
Grécia (2010-2015):
- Cortes significativos em salários do setor público
- Redução de pensões e benefícios sociais
- Aumento de impostos sobre consumo
- Privatização de empresas estatais
- Resultados: Intensos protestos populares e instabilidade política
Reflexos da crise no Brasil
O grande reflexo dessa crise no Brasil é a redução das exportações para países que estão reduzindo drasticamente os gastos depois da crise. Com isso, a demanda mundial por produtos caiu, colaborando para diminuir o ritmo de crescimento dos países emergentes e desenvolver as commodities, sendo assim um dos fatores responsáveis pela crise econômica atual do Brasil.
A interdependência da economia global fez com que a crise europeia impactasse diretamente a economia brasileira, demonstrando como problemas regionais podem ter consequências mundiais em um mundo globalizado.
Adesão de novos membros
A União Europeia é hoje uma grande potência mundial nos aspectos econômicos e sociais. Portanto, diversos países buscam uma futura adesão ao bloco.
Países candidatos
- Albânia, Macedônia (agora chamada de Macedônia do Norte), Montenegro, Sérvia e Turquia
Potenciais candidatos
- Kosovo e Bósnia e Herzegovina
O processo de adesão à União Europeia é rigoroso e inclui critérios políticos (democracia estável, Estado de direito), econômicos (economia de mercado funcional) e de capacidade administrativa para implementar as leis europeias.
Situação especial da Turquia
A Turquia é um dos mais antigos candidatos e a adesão é vista durante muito tempo como um modelo de democracia islâmica a ser seguido pelos outros países autoritários do Oriente Médio. Mas o país apresenta problemas relacionados ao respeito aos direitos humanos (a repressão com relação à minoria curda, no aspecto político) que dificultam uma avaliação européia mais criteriosa.
A adesão da Turquia e da Macedônia do Norte (o nome entrou em vigour dia 12 de fevereiro de 2019 por um impasse junto à Grécia que tem uma província no norte com o mesmo nome) são considerados pelo bloco como prioritários. Portanto, a Turquia deve melhorar suas condições sociais, econômicas e políticas. A Internacional Politics já candidatou em 2009.
Obstáculos à adesão da Turquia:
- Questões de direitos humanos, especialmente relacionadas à minoria curda
- Regime autoritário de Recep Tayyip Erdoğan
- Disputas territoriais e políticas com países membros da UE
- Diferenças culturais e religiosas que geram resistência em alguns países europeus
Atualmente, o regime autoritário e repressivo de Recep Tayyip Erdoğan dificultou ainda mais a adesão da Turquia junto à União Europeia.
Pontos-Chave para Lembrar:
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A Europa Ocidental concentra os países mais desenvolvidos industrialmente, com economia capitalista avançada e alta renda per capita
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O Brexit representa a saída histórica do Reino Unido da União Europeia, concretizada em 2020 após um longo processo iniciado com o referendo de 2016
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A União Europeia evoluiu gradualmente desde a CECA (1951) → CEE (1957) → UE (1992), criando uma das mais profundas integrações regionais do mundo
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O bloco europeu integra aspectos econômicos (moeda única - euro), fiscais (limites de déficit), migratórios (Espaço Schengen) e políticos (instituições supranacionais)
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A crise da Zona do Euro, iniciada em 2008, demonstrou as vulnerabilidades da integração econômica e afetou países como Grécia, Portugal e Espanha, com reflexos globais incluindo o Brasil