Geopolítica e a velha ordem mundial (ENEM Geografia): Notas de revisão
Geopolítica e a velha ordem mundial
Introdução à geopolítica
A geopolítica é uma área de estudo que analisa as relações de poder entre países e como essas interações moldam o cenário internacional. Ela se concentra nas estratégias, práticas e ações que os Estados desenvolvem para proteger seus territórios e expandir sua influência no mundo.
A geopolítica pode ser definida como um conjunto de estratégias, práticas e ações realizadas, na maior parte das vezes, pelos Estados Nacionais, a fim de promover a defesa de seus territórios.
Compreender a geopolítica significa entender como funcionam as relações internacionais entre países e as estratégias que eles usam para manter ou conquistar poder sobre seus territórios ou expandir suas áreas de influência. Essas relações muitas vezes vão além da simples noção de Estado e envolvem a formação de organizações regionais e internacionais, como a ONU e a OTAN, que exercem influência supranacional na dinâmica de diversos países.
As discussões internacionais, por meio de canais de comunicação, negociações para retirada de tropas, deslocamento de soldados, abertura ou fechamento de embaixadas, ou mesmo ameaças entre líderes internacionais são exemplos de ações geopolíticas que observamos constantemente nos noticiários.
Antecedentes da velha ordem mundial
A Revolução Russa (1917)
A Revolução Russa representa um marco fundamental para compreender a formação da velha ordem mundial. Durante a transição do século XIX para o XX, a Rússia ainda funcionava como um império czarista, governado há mais de trezentos anos pela dinastia Romanov. Neste contexto, o governo enfrentava severas críticas e pressões relacionadas à orientação econômica, política e social.
Entre as principais críticas ao sistema russo, destacavam-se o atraso tecnológico, que deixava o país com poucos avanços no campo industrial em comparação com outras sociedades, e os conflitos elevados com países como o Japão. O contexto da guerra Russo-Japonesa (1904-1905) criou uma sociedade marcada pelo descontentamento, especialmente em um cenário onde existia grande desigualdade social.
Nesse período histórico, formou-se o Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR), que representava uma oposição ao czarismo e defendia inspiração marxista, mas com grandes divergências intelectuais entre seus membros.
Os Mencheviques eram marxistas ortodoxos que acreditavam que o socialismo seria possível apenas após avanços e reformas no sistema capitalista. Já os Bolcheviques defendiam que a aliança entre operários e camponeses seria o caminho para uma mudança revolucionária socialista e o início de uma ditadura do proletariado.
A entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) causou um maior questionamento do poder exercido pelo czar Nicolau II, que foi derrubado em fevereiro de 1917 após um grande conjunto de manifestações e greves realizadas por camponeses, operários e militares. Essas mudanças iniciais marcaram o período conhecido como Governo Provisório, formado por uma aliança entre sovietes do petrogrado (trabalhadores e militares) e burgueses liberais.
Em outubro de 1917, Lênin e Trotsky lideraram a revolução Bolchevique que se utilizou do comunismo de guerra na luta do exército vermelho contra o exército branco. Entre as principais mudanças desse contexto, destacamos a criação da NEP (Nova Política Econômica) em 1921 e a formação da União Soviética (URSS) em 1922.
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945)
O expansionismo alemão teve relação direta com o início deste conflito. A retomada da Renânia (1936), a anexação da Áustria (1938) e a ocupação da Tchecoslováquia (1939) levaram a uma política de apaziguamento que permitiu à Inglaterra e França legitimarem essas ações, contanto que não houvesse mais invasões e anexações.
Este conflito de proporções globais teve início após a invasão da Polônia pelos alemães (nazistas) em setembro de 1939, momento em que os nazistas foram às bases dessa invasão para combater os nazistas. A discordância de Hitler com a divisão das fronteiras entre os países após o Tratado de Versalhes foi uma das causas centrais do conflito.
Alianças da Segunda Guerra Mundial:
- Aliados – Reino Unido, França, União Soviética (1941) e Estados Unidos (1941)
- Eixo – Itália, Alemanha e Japão
O conflito se dividiu em três etapas principais: Supremacia Alemã e Avanços do Eixo (1939-1941), quando a Itália no norte da África, Alemanha na Europa e Japão no Oceano Pacífico destacaram-se na batalha; Equilíbrio de Forças (1941-1944), que teve como importantes passagens a Batalha de Stalingrado (1943) e a Conferência de Teerã (1943); e Derrota do Eixo (1944-1945), momento em que ocorreu após batalhas vencidas que os encaminharam para a Europa Central e a libertação do leste europeu pelos soviéticos.
O desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial
A Batalha de Stalingrado (1942-1943)
Apesar da assinatura de um tratado de não agressão entre União Soviética e Alemanha em 1939, o rompimento desse acordo levou a diversos conflitos entre esses países. A importante batalha que ocorreu na cidade de Stalingrado (atualmente Volgogrado), localizada na região do Cáucaso às margens do rio Volga, foi a mais emblemática desses diversos conflitos.
Exemplo Histórico: A Resistência em Stalingrado
A resistência soviética aos constantes ataques nazistas teve impacto como um importante aliado na derrota por parte da Alemanha na frente oriental da Segunda Guerra Mundial. Esta batalha marcou o ponto de virada do conflito no front oriental.
A Batalha da Normandia – O Dia D (1944)
A famosa operação Overlord em junho de 1944 foi uma passagem na guerra de grande importância para as forças aliadas, em que soldados entraram no território francês com bombardeios, invasão naval e operações de paraquedistas. Esse evento marcou o início da vitória sobre nazistas no ocidente.
Após longos seis anos de conflitos, a Segunda Guerra Mundial teve como importante passagem que representou o seu final o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki (armamento nuclear) nos dias seis e nove de agosto de 1945. O cenário de destruição causado pelos Estados Unidos serviu como um símbolo do seu poderio bélico em comparação aos demais países do globo.
A geopolítica entre 1945 e 1991: a velha ordem mundial
A velha ordem mundial (1945 a 1989) foi caracterizada pelo conflito conhecido como Guerra Fria – uma disputa entre o socialismo soviético e o capitalismo norte-americano, basicamente dividindo o mundo em duas partes: capitalista e socialista (mundo bipolar).
O uso do termo "Guerra Fria" está relacionado a um conflito indireto. Esse termo faz referência a um período de disputas entre Estados Unidos (capitalismo) e União Soviética (socialismo) por áreas de influência em que os países realizaram investimentos em armamento (corrida armamentista), mas que não levou a um conflito direto, seguindo a ideia de "Destruição Mútua Assegurada".
A Guerra Fria caracterizou-se por um constante estado de tensão, que estimulou a corrida armamentista entre EUA e URSS. Esse estado de tensão foi ironicamente chamado de coexistência pacífica – uma coexistência baseada no equilíbrio do terror, já que tanto EUA quanto URSS possuíam armas nucleares capazes de destruir o mundo várias vezes.
O mundo bipolar da velha ordem mundial
Bipolarização
A ideia da formação de um mundo bipolar está relacionada à polarização da geopolítica global por Estados Unidos (capitalismo) e União Soviética (socialismo). Nesse período, os países do globo eram regionalizados de acordo com um critério político.
Divisão do Mundo durante a Guerra Fria:
- Primeiro Mundo – Países do bloco capitalista de economia mais desenvolvida (liderança: Estados Unidos – EUA)
- Segundo Mundo – Países do bloco socialista (liderança: União Soviética – URSS)
- Terceiro Mundo – Países capitalistas disputados como áreas de influência (Conferência de Bandung – países não-alinhados)
A Cortina de Ferro (1946)
A famosa frase "Do Estetino, no [mar] Báltico, até Trieste, no [mar] Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente" resume a divisão da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sófia: todas essas cidades famosas e as populações em torno delas estão na área que deve chamar de esfera soviética, e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não somente à influência soviética mas também a fortes e, em certos casos crescentes, medidas de controle armadas de Moscou.
Esta declaração de Winston Churchill em 5 de março de 1946 estabeleceu simbolicamente a divisão ideológica da Europa entre o bloco ocidental (capitalista) e o bloco oriental (socialista).
Corrida armamentista e tensões
Na década de 1970 ocorreu uma grande expansão do complexo industrial-militar de ambos os lados. Americanos e soviéticos promoveram altos investimentos em pesquisas, resultando em grandes avanços tecnológicos. Entretanto, a corrida armamentista levou ao esgotamento de recursos, ao aumento do déficit público e aos problemas sociais e econômicos de ambos os lados.
Durante este período, houve um crescimento exponencial no arsenal nuclear das superpotências. Os dados mostram o crescimento das ogivas nucleares: em 1950, os EUA possuíam 350 ogivas nucleares contra apenas 5 da URSS; em 1989, os EUA chegaram a 22.500 ogivas nucleares, enquanto a URSS alcançou 32.000.
A bomba de Hiroshima
A bomba lançada sobre Hiroshima tinha potência equivalente a 0,015 quilotons de TNT, demonstrando o poder destrutivo das armas nucleares e iniciando a era da deterrência nuclear na política internacional.
O fim da Guerra Fria
Com a inflação e o desemprego em níveis preocupantes, e com a influência mundial dos EUA em declínio, Ronald Reagan, presidente americano entre 1980 a 1988, passou a adotar uma política econômica liberal, provocando mudanças radicais ao implementar a austeridade nos gastos públicos e incentivos às empresas (diminuição de impostos) e maior protecionismo interno (barreiras alfandegárias).
Reagan foi responsável pela retomada da corrida armamentista, especial e pela prática de uma política externa agressiva, contribuindo para o colapso da URSS, que para manter frente de provocações e avanços tecnológicos dos americanos, viu-se obrigada a desviar recursos de sua economia já enfraquecida para pesquisas militares.
Na década de 1980, o enfraquecimento da União Soviética mostrava que o fim do conflito se aproximava. Entre as principais causas do enfraquecimento soviético, destacamos o descontentamento populacional com a censura e a falta de liberdade política, cultural e econômica na União Soviética, além dos elevados gastos da URSS para manter a Corrida Armamentista.
Queda do Muro de Berlim
Essa estrutura física construída na cidade de Berlim foi durante muito tempo o grande símbolo da existência da Guerra Fria. Portanto, a sua derrubada foi uma das mais importantes passagens que representam que esse conflito ideológico se aproximava do seu fim.
Exemplo Histórico: A Construção e Queda do Muro de Berlim
A Conferência de Potsdam (1945) dividiu o território da Alemanha entre Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França, criou o Tribunal de Nuremberg e estabeleceu a desnazificação da Alemanha. Com o lançamento do Plano Marshall (1947) que despertou as conferências de Potsdam e Yalta, foi estabelecido um bloqueio a Berlim de 1947 até 1949. Em 1961, na tentativa de conter as migrações entre as duas partes de Berlim, teve início a construção do muro.
Mudanças territoriais com o fim da Guerra Fria
Principais mudanças territoriais após 1991:
- União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) – Rússia, Letônia, Estônia, Lituânia, Bielorrússia, Belarus, Ucrânia, Moldávia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Turcomenistão.
- Unificação da Alemanha – RFA e RDA.
- Fragmentação da Iugoslávia – Bósnia e Herzegovina, Croácia, Montenegro, República da Macedônia, Sérvia, Eslovênia e Kosovo (parcialmente reconhecido como um país independente).
- Separação da Tchecoslováquia – República Tcheca e Eslováquia.
Pontos-chave para lembrar:
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A geopolítica estuda as relações de poder entre países e como elas moldam o cenário internacional através de estratégias para proteger territórios e expandir influência.
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A Revolução Russa (1917) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foram eventos fundamentais que estabeleceram as bases para a formação da velha ordem mundial bipolar.
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A Guerra Fria (1945-1991) caracterizou-se como um conflito ideológico indireto entre capitalismo (EUA) e socialismo (URSS), dividindo o mundo em blocos antagônicos.
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O sistema bipolar organizou o mundo em Primeiro Mundo (capitalista desenvolvido), Segundo Mundo (socialista) e Terceiro Mundo (capitalista subdesenvolvido), separados simbolicamente pela Cortina de Ferro.
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O fim da Guerra Fria foi marcado pela queda do Muro de Berlim (1989), pela desintegração da URSS e por importantes mudanças territoriais que reconfiguraram o mapa político mundial.