Rússia e leste europeu (ENEM Geografia): Notas de revisão
Rússia e leste europeu
Introdução histórica
A dissolução da União Soviética em 1991 marcou o fim de uma era e o início de profundas transformações geopolíticas no leste europeu. Este evento histórico resultou na formação de quinze novos países independentes, sendo a Rússia o principal herdeiro político, econômico e militar da antiga potência socialista.
A transição representou uma mudança radical do sistema econômico planificado (socialista) para a economia de mercado (capitalista). Durante esse período turbulento, a Rússia enfrentou enormes desafios para se reorganizar como nação independente e manter sua influência regional.
A transição pós-soviética foi um dos processos de transformação política e econômica mais complexos do século XX, afetando não apenas a Rússia, mas toda a região do leste europeu e milhões de pessoas que tiveram suas vidas drasticamente alteradas.
O território russo
Características gerais
A Rússia apresenta dimensões continentais, ocupando aproximadamente 17 milhões de quilômetros quadrados, o que a torna o maior país do mundo em extensão territorial. Essa vastidão se estende por duas partes do globo: Europa e Ásia, onde vivem cerca de 144 milhões de habitantes.
A Rússia é o maior país do mundo em extensão territorial, ocupando mais de 11% de toda a superfície terrestre do planeta, estendendo-se por 11 fusos horários diferentes.
Para facilitar a compreensão deste imenso território, podemos dividir a Rússia em três grandes regiões principais, cada uma com características distintas.
Cáucaso
Esta região localiza-se na porção sudoeste do país, onde encontramos importantes cidades como Volgogrado e Krasnodar. A região do Cáucaso possui grande relevância estratégica, pois conecta a Rússia com o oceano Atlântico através do mar Negro e com o Mediterrâneo. Além disso, facilita o escoamento de produtos nacionais e representa um ponto crucial para a exploração de petróleo e gás natural.
O Cáucaso serve como uma importante ponte geográfica e econômica, conectando a Rússia aos mercados europeus e mediterrâneos, além de ser uma região rica em recursos energéticos fundamentais para a economia russa.
Rússia ocidental
Compreende a parte do território da Federação Russa localizada na Europa, abrigando as cidades mais desenvolvidas e conhecidas, como Moscou, São Petersburgo, Kazan e Samara. Esta região corresponde à área de maior desenvolvimento econômico e concentra a maior densidade demográfica do país.
Sibéria
Representa a porção do território russo situada na Ásia, especificamente em sua parte central e oriental. Encontramos aqui cidades como Novosibirsk, Yakutsk e Vladivostok. A Sibéria é caracterizada pela presença da maior parte do país (cerca de três quartos do território), é banhada pelo oceano Pacífico e mantém importantes relações comerciais com Japão, China, Estados Unidos e países do Tigres Asiáticos. A região apresenta as menores densidades demográficas do país devido às baixas temperaturas e clima rigoroso.
A Sibéria, apesar de representar a maior parte do território russo, possui densidade populacional extremamente baixa devido às condições climáticas adversas, mas é fundamental para as relações comerciais da Rússia com os países do Pacífico.
A Rússia na atualidade
O cenário geopolítico mundial
No século XXI, a Rússia se destacou no cenário geopolítico mundial, principalmente no aspecto econômico. O país conseguiu atrair diversos investidores estrangeiros, especialmente de nações mais desenvolvidas, que buscavam expandir seus mercados consumidores. Com isso, tornou-se parte do principal grupo de economias emergentes do início do século, conhecido como "BRICS" (formado também por Brasil, Índia, China e África do Sul).
A nação também é considerada uma potência militar, exercendo grande influência geopolítica nas antigas repúblicas socialistas da Ásia e Europa. Ainda mantém em seu território um poderoso arsenal de armas nucleares com ogivas nucleares instaladas em mísseis de médio e longo alcance, além de um extenso parque industrial voltado para a produção de armamentos e veículos militares.
A Rússia é uma das principais potências nucleares mundiais, mantendo um dos maiores arsenais de armas nucleares do planeta, o que lhe confere significativa influência nas relações internacionais e na geopolítica global.
A economia russa no período Putin
Vladimir Putin assumiu o poder na Rússia pela primeira vez no ano 2000, iniciando um período de transformações significativas no país. Desde que se tornou presidente, Putin implementou iniciativas para recuperar a economia e restaurar a força internacional da nação.
Primeiramente, trabalhou para retomar o controle estatal das empresas que haviam sido privatizadas durante a gestão anterior. A partir dessa estratégia, Putin passou a privilegiar a exportação de recursos naturais, tornando a Rússia um dos maiores produtores mundiais de petróleo e gás.
A estratégia de Putin de re-estatização de empresas estratégicas representou uma reversão das políticas liberalizantes dos anos 1990, consolidando o controle estatal sobre setores-chave da economia russa, especialmente energia e recursos naturais.
Internamente, o líder russo adotou uma postura autoritária, controlando o poder através de sua liderança forte, limitando alguns pilares da democracia russa. Suas ações acabaram com as eleições diretas para governadores regionais, restringindo a liberdade de imprensa e exercendo forte pressão sobre opositores políticos, incluindo prisões sem justificativas claras.
O governo Putin implementou medidas que restringiram significativamente as liberdades democráticas na Rússia, incluindo controle da mídia, supressão da oposição política e centralização do poder, transformando o país em um sistema político cada vez mais autoritário.
A legislação russa passou por três mandatos consecutivos, permitindo que Putin fosse eleito presidente novamente em 2012 para o atual mandato. Impulsionada pelas receitas obtidas com as exportações de petróleo e gás, a economia russa cresceu a uma média anual de 7% entre 2000 e 2007, mas enfrentou queda na demanda mundial por commodities após a crise financeira de 2008.
Questões geopolíticas contemporâneas
Separatismo e o Cáucaso
A Rússia enfrenta problemas relacionados ao separatismo em algumas regiões, sendo o Estado russo não uniforme devido às diferentes etnias presentes. Existem em seu território vários povos com tradições culturais, religiosas e valores próprios, convivendo sob sua unidade política.
A origem dos movimentos nacionalistas na região da Rússia está relacionada a questões históricas. A formação da União Soviética centralizou o poder político e suprimiu questões étnicas, mas após sua dissolução, algumas regiões passaram a buscar maior autonomia ou independência.
A diversidade étnica da Rússia é resultado de séculos de expansão territorial, incorporando diversos povos com culturas, línguas e tradições distintas. Esta heterogeneidade representa tanto uma riqueza cultural quanto um desafio político para a manutenção da unidade nacional.
O interesse russo em manter soberania sobre muitos territórios que buscam independência está relacionado a questões estratégicas. Muitas dessas regiões apresentam jazidas de petróleo, gás natural e minerais metálicos importantes, além de serem rotas de passagem de oleodutos e gasodutos.
Política externa russa: os casos da Ucrânia e Síria
Em meio à desaceleração econômica, a Rússia ainda se viu diante de enormes desafios para sua política externa. As revoltas que derrubaram o governo na Ucrânia, no início de 2014, levaram o país a um passo de abandonar a zona de influência russa para se alinhar aos europeus.
Em um momento de grandes dificuldades econômicas, a Rússia não poderia perder um importante parceiro econômico. Por isso, Vladimir Putin não demorou a agir, anexando a Crimeia da Ucrânia à Rússia logo na sequência, incorporando revoltas separatistas em importantes províncias do leste ucraniano como Donetsk e Lugansk.
A anexação da Crimeia em 2014 representou a primeira alteração de fronteiras na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, causando uma crise diplomática internacional e resultando em sanções econômicas contra a Rússia.
No segundo semestre de 2015, a Rússia passou a intervir diretamente no conflito da Síria, a partir de ataques aéreos. Oficialmente, a investida é contra as posições do grupo terrorista Estado Islâmico, mas o foco da operação russa é claramente proteger o presidente sírio, Bashar al-Assad.
A influência russa nas eleições americanas
A Rússia tornou-se um país influente ao ponto de interferir nas eleições durante o principal evento político de 2016 - as eleições presidenciais nos EUA. Segundo a CIA, a agência de inteligência norte-americana, a Rússia hackeou computadores do Partido Democrata e tornou públicos diversos documentos para prejudicar a candidatura de Hillary Clinton.
A interferência russa nas eleições americanas de 2016 marcou um novo capítulo na guerra cibernética internacional, demonstrando como as tecnologias digitais podem ser utilizadas para influenciar processos democráticos em outros países.
O nacionalismo russo
Vladimir Putin se transformou em um símbolo de uma nova onda nacionalista. A Rússia estabeleceu canais de cooperação com praticamente todos os partidos de extrema-direita dos países que fazem parte da União Europeia.
Para Vladimir Putin, o apoio à extrema-direita europeia é uma forma de minar a União Europeia por dentro. O avanço dos partidos ultranacionalistas tem polarizado o espectro político europeu, muitas vezes causando fraturas na sociedade. Todas essas organizações defendem políticas de integração do bloco e defendem a saída de seus respectivos países da União Europeia.
A estratégia russa de apoio a movimentos nacionalistas europeus representa uma forma de "soft power" que visa enfraquecer a coesão da União Europeia e reduzir sua capacidade de implementar políticas coordenadas contra os interesses russos.
Apesar dos resultados econômicos decepcionantes e do crescimento de uma pequena oposição, Vladimir Putin conquistou um novo mandato à frente do poder na Rússia. Esse respaldo doméstico lhe garante a força necessária para continuar atuando nos movimentos da geopolítica mundial.
Pontos-Chave para Lembrar:
- A dissolução da União Soviética em 1991 resultou na formação de 15 novos países, sendo a Rússia o principal herdeiro
- O território russo é o maior do mundo, com 17 milhões de km², dividido em três regiões principais: Cáucaso, Rússia Ocidental e Sibéria
- Vladimir Putin governa a Rússia desde 2000, promovendo o controle estatal da economia e uma política externa assertiva
- A Rússia enfrenta questões separatistas, especialmente no Cáucaso, relacionadas à diversidade étnica e recursos naturais
- A política externa russa contemporânea inclui intervenções na Ucrânia, Síria e influência nas eleições americanas de 2016