Regionalização brasileira: Nordeste (ENEM Geografia): Notas de revisão
Regionalização brasileira: Nordeste
O que é a região Nordeste
A região Nordeste representa uma das cinco grandes regiões brasileiras e se destaca por ser a que possui o maior número de estados - são nove ao todo: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Com uma extensão territorial de aproximadamente 1.554.257,9 km², a região abriga mais de 53 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esta região se caracteriza por apresentar grandes contrastes em suas características físicas, econômicas e sociais. Tradicionalmente vista como uma área marcada pela pobreza e pela seca, o Nordeste possui na verdade uma rica diversidade de paisagens, desde áreas de mata atlântica até regiões semiáridas, o que resulta em diferentes potenciais econômicos e desafios específicos para cada área.
O Nordeste brasileiro é muito mais diverso do que comumente se imagina. Essa diversidade se reflete não apenas nas paisagens naturais, mas também nas atividades econômicas, culturas locais e desafios específicos de cada área.
As sub-regiões nordestinas
O Nordeste brasileiro é tradicionalmente dividido em quatro sub-regiões distintas, cada uma com características geográficas, climáticas e econômicas particulares. Esta divisão ajuda a compreender melhor a complexidade e a diversidade da região.
Meio-norte
O Meio-norte funciona como uma área de transição entre a região amazônica e o sertão semiárido nordestino. É formado pelos estados do Maranhão e a oeste do Piauí. A vegetação predominante nesta sub-região é natural, composta pela mata de cocais, onde se destacam os carnaubais e babaçuais em sua maioria.
Esta área apresenta índices pluviométricos superiores às demais partes do Nordeste, caracterizando-se como uma região economicamente menos desenvolvida. A principal atividade econômica gira em torno da pecuária extensiva e da agricultura tradicional baseada no algodão, cana-de-açúcar e arroz, além da exploração da pecuária extensiva.
Sertão
O Sertão constitui uma extensa área de clima semiárido, popularmente conhecida como "Polígono das Secas". Esta sub-região abrange o centro da região Nordeste e está presente em praticamente todos os estados nordestinos. Caracteriza-se pelos baixos e irregulares índices de pluviosidade, com a ocorrência periódica de secas.
A vegetação típica é a caatinga, onde predomina o Rio São Francisco como principal fonte de água perene para as populações que habitam suas margens. O sertão é também aproveitado para irrigação e serve como fonte de energia através de hidrelétricas, como a de Sobradinho na Bahia. As maiores concentrações populacionais estão nos vales dos rios Cariri e São Francisco, onde se desenvolve a principal atividade econômica: a pecuária extensiva de corte.
Exemplo de Aproveitamento do Rio São Francisco:
O Rio São Francisco é fundamental para o Sertão, servindo múltiplas funções:
- Abastecimento: Fonte de água potável para as populações ribeirinhas
- Irrigação: Permite a agricultura em áreas semiáridas
- Energia: Hidrelétricas como Sobradinho geram eletricidade
- Economia: Sustenta a pesca e o transporte fluvial
Agreste
O Agreste corresponde à área de transição entre o sertão semiárido e a zona da mata, sendo uma faixa cheia de brejos. Esta sub-região é composta pelos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. A principal atividade econômica concentra-se nos trechos mais secos do agreste através da pecuária extensiva.
Nos trechos mais úmidos desenvolve-se a agricultura de subsistência e a pecuária leiteira. Predominam as pequenas e médias propriedades rurais com cultivo de algodão, café e sisal. Além disso, destaca-se também na economia local o turismo, com a realização de festas que atraem multidões, como as famosas festas juninas.
Zona da Mata
Também conhecida como Litoral Continental, esta sub-região compreende uma faixa litorânea de aproximadamente 200 quilômetros de largura que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia. Apresenta a maior concentração populacional do Nordeste e é a sub-região mais urbanizada.
O clima é tropical úmido e a seca é fértil devido à regularidade de chuvas. A vegetação natural é a mata Atlântica, e o cultivo da cana-de-açúcar é a principal atividade econômica praticada na Zona da Mata. Outras atividades econômicas desenvolvidas incluem a extração de petróleo, o cultivo de cacau, café, frutas, fumo, lavoura de subsistência, além de significativa industrialização, destacando-se também a produção de sal marinho, principalmente no Rio Grande do Norte, além da atividade turística que atrai milhões de visitantes para as belas praias nordestinas.
A Zona da Mata nordestina concentra não apenas a maior população da região, mas também a maior diversidade de atividades econômicas, desde a agricultura tradicional até setores modernos como petróleo e turismo.
A migração de retorno
Durante décadas, a migração entre regiões do país foi caracterizada pela saída de pessoas do Nordeste, principalmente em direção ao centro-sul do país. Segundo o IBGE, na última década começou a haver um movimento de retorno da população de regiões de origem em todo o país.
A corrente migratória mais expressiva continua a ser entre o Nordeste e o Sudeste, mas houve uma redução significativa. A região nordestina foi a que apresentou o maior número de migrantes retornando para seus estados, seguido, em menor escala, pela região Sul. Em 2009, os estados do Nordeste que apresentaram migração de retorno mais expressiva, conforme o instituto, superando os 20% do total de imigrantes, foram Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Mudança no Padrão Migratório Brasileiro
Esta mudança no padrão migratório representa uma transformação histórica no Brasil, indicando melhorias nas condições socioeconômicas do Nordeste e mudanças na dinâmica nacional de desenvolvimento regional.
Esta mudança no padrão migratório está relacionada à diminuição do número de pessoas que saem do Nordeste e ao aumento da população local, com uma rede social melhor. O Sudeste, que já não recebe mais tantas pessoas, passa a ser também emissor, não só de migrantes, como também de quem é originário e está deixando essa região.
Estados como São Paulo e Rio de Janeiro começaram a receber menos imigrantes na última década, enquanto estados antes considerados de grande evasão começaram a perder menos população. A Bahia e o Maranhão continuaram a ser classificados como regiões "repulsoras", mas também diminuíram o fluxo migratório.
A seca no Nordeste
A seca no sertão nordestino está entre as questões mais graves do Brasil. Há séculos os governos têm tentado resolvê-la, sem sucesso significativo. As políticas de combate à seca no Nordeste remontam à época do Império. Dom Pedro II determinou a construção de açudes, entre outras ações, para diminuir os efeitos da estiagem, estabelecendo os anos de 1877 e 1879 como marcos iniciais dessa política.
Em 1909, um grupo de estudantes determinou os limites da região atingida por estiagens periódicas, que passou a ser chamada Polígono das Secas. Este mapa delimitou as áreas atingidas pela seca na época, abrangendo praticamente todos os estados do Nordeste, menos o Maranhão, além do norte de Minas Gerais.
O conceito de "Polígono das Secas" foi fundamental para delimitar oficialmente as áreas mais afetadas pela estiagem, servindo como base para políticas públicas específicas para essas regiões.
A área do Polígono das Secas aumentou de tamanho ao longo dos anos. O Maranhão, que estava "fora" das áreas de ocorrência de secas longas, vem enfrentando o problema nos últimos 25 anos. Nas regiões atingidas, é comum a estiagem se prolongar por dois ou três anos, o que gera uma situação de calamidade para milhões de sertanejos.
A ampliação da área da seca está relacionada à forma de ocupação humana nessa região. Desde o século XVI, trata-se do uso predatório da terra, tirando dela o máximo possível em produtividade sem preocupação com o esgotamento. O principal fator foi o desmatamento excessivo que eliminou a vegetação em torno das nascentes dos rios, fazendo com que as árvores secam e não há fonte de onde vem a água.
A "Indústria da Seca"
Estudiosos declaram que existe uma "indústria da seca", da qual alguns se beneficiam de forma política e financeira. Isso ocorre quando recursos destinados ao combate à seca são desviados ou mal utilizados, perpetuando o problema ao invés de resolvê-lo.
O primeiro órgão de combate à seca foi criado em 1909, chamando-se Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS). Em 1919 tornou-se a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS). Em 1945 ganhou novo nome: Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). Todos esses órgãos procuram definir metas e solucionar o problema com obras para armazenar água e suprir a população, a agricultura e a pecuária.
Porém, tem sido insuficiente, como se vê pelo aumento da área atingida. Além do desmatamento, a seca do Nordeste está ligada à falta de políticas que realmente funcionem em benefício da população. Durante a estiagem, o governo federal socorre os estados atingidos com envio de dinheiro para ser aplicado nessas áreas, cestas básicas para a população, perdão total ou parcial das dívidas de empréstimos tomados por empresários e fazendeiros.
A transposição do Rio São Francisco
Também conhecido como Velho Chico, o Rio São Francisco é um dos mais importantes do Brasil. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, atravessa a Bahia, Pernambuco e faz a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas antes de desaguar no Atlântico. Pela sua extensão e relevância, também é chamado de rio da integração nacional e seca por paisagens muito diversas, incluindo os biomas da Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.
É um projeto em andamento, sob a responsabilidade do governo federal, com o objetivo de direcionar parte das águas do rio para o semiárido nordestino. Apesar das obras terem se iniciado em 2007, a ideia da transposição é muito mais antiga, começou a ser discutida em 1847 por intelectuais do Império Brasileiro de Dom Pedro II no modelo atual.
Exemplo da Estrutura do Projeto:
O projeto prevê o desvio de 1% a 3% das águas do São Francisco e conta com:
- Extensão: Mais de 700 quilômetros de canais
- Eixo Norte: Captação em Cabrobó (PE) → Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte
- Eixo Leste: Captação em Floresta (PE) → Pernambuco e Paraíba
O projeto prevê o desvio de 1% a 3% das suas águas para abastecer nos temporários e açudes que secam durante o período da estiagem. Para isso, conta com a construção de mais de 700 quilômetros de canais que fazem o desvio do volume. A obra divide-se em dois grandes eixos: o Eixo Norte se encarrega de captar as águas em Cabrobó (PE) e levá-las ao sertão de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. O Eixo Leste, por sua vez, realizada a captação das águas em Floresta (PE) a fim de beneficiar territórios de Pernambuco e Paraíba.
A obra foi iniciada em 2007, mas vários contratempos a atrasaram para 2015. O projeto, portanto, saiu do papel durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). No entanto, o Eixo Leste da transposição foi inaugurado no início de março de 2017, isto é, pelo atual governo Temer. Como as diferentes etapas de implementação do projeto acabaram coincidindo com governos distintos, uma verdadeira batalha pela "paternidade" da obra vem sendo travada.
Benefícios da Transposição:
Entre os benefícios do projeto destacam-se:
- Segurança hídrica para a região semiárida
- Aumento da produção de alimentos
- Redução da mortalidade de rebanhos
- Melhoria na qualidade da água disponível
- Diminuição de doenças relacionadas ao consumo de água imprópria
Entre os benefícios do projeto, a segurança hídrica para a região semiárida brasileira é, sem dúvida, o maior. O aumento do abastecimento das áreas secas culminaria na elevação da produção de alimentos, queda da mortalidade de rebanhos e, portanto, favoreceria diretamente a produtividade e a vida no campo. O impacto também se estenderia à saúde dos moradores da região, já que as águas do Rio São Francisco são de qualidade superior àquelas existentes nas bacias receptoras, diminuindo assim a incidência de doenças ligadas ao consumo de água imprópria.
Críticas e Controvérsias
Porém, há críticas significativas à obra:
- Impactos ambientais no ecossistema regional
- Alterações no habitat natural de espécies
- Risco de salinização dos rios receptores
- Possível erosão devido ao volume represado
- Estado de fragilidade dos afluentes do São Francisco
Porém, há críticas à obra. O tema é controverso porque uma obra desse porte induz uma série de novas interações e impactos ambientais. Grande parte das críticas referem-se aos impactos negativos que a alteração traria para o ecossistema da região do interior no habitat natural de muitas espécies. Há também a possibilidade de salinização e erosão dos rios receptores devido ao volume de água represado e o estado de fragilidade dos afluentes que alimentam o São Francisco.
Pontos-Chave para Lembrar:
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O Nordeste é a região brasileira com o maior número de estados (nove) e se divide em quatro sub-regiões: Meio-norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata
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A migração de retorno tem sido uma tendência recente, com nordestinos voltando para seus estados de origem após décadas de migração para o centro-sul
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O Polígono das Secas delimita as áreas mais afetadas pela seca, um problema histórico que levou ao surgimento da chamada "indústria da seca"
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A transposição do Rio São Francisco é um projeto federal que visa levar água para o semiárido através de dois eixos (Norte e Leste)
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Cada sub-região nordestina possui características distintas: o Meio-norte é área de transição, o Sertão é semiárido, o Agreste é zona de transição e a Zona da Mata é a mais urbanizada