Solos: impactos e técnicas de preservação (ENEM Geografia): Notas de revisão
Solos: impactos e técnicas de preservação
Introdução
Os solos são recursos fundamentais para a vida na Terra, mas enfrentam diversos tipos de degradação que podem ser causados tanto por processos naturais quanto por atividades humanas. Compreender esses impactos e as técnicas de preservação é essencial para garantir a sustentabilidade agrícola e ambiental.
A degradação dos solos é um problema global que afeta diretamente a segurança alimentar, a qualidade da água e a biodiversidade. O estudo desses processos permite desenvolver estratégias eficazes de conservação e uso sustentável dos recursos naturais.
Principais impactos que afetam os solos
Erosão
A erosão representa um dos processos mais significativos de degradação do solo. Trata-se de um fenômeno natural que pode ser intensificado pelas atividades humanas, envolvendo o desgaste e transporte de materiais do solo e das rochas.
Os processos erosivos não apenas modificam a estrutura do terreno, formando crateras que podem ocupar extensas áreas, mas também são responsáveis pela remoção de nutrientes essenciais do solo. Em certas situações, a remoção excessiva da camada superficial pela ação da água das chuvas - conhecida como erosão laminar - torna os solos mais ácidos e improdutivos.
As erosões também estão relacionadas a problemas de movimentação de massas, desabamento de encostas, formação de ravinas e o desenvolvimento de voçorocas, que são formações erosivas mais profundas e extensas.
Lixiviação
Este processo ocorre através da remoção da camada superficial do solo pelo escoamento das águas superficiais. Geralmente acontece em áreas sem cobertura vegetal adequada, o que reduz significativamente a fertilidade do solo ao longo do tempo.
A lixiviação é particularmente comum em solos de regiões tropicais e equatoriais, onde as chuvas são mais abundantes e intensas. As enxurradas provocadas pelas precipitações transportam os materiais superficiais do solo para áreas mais baixas, causando empobrecimento nutricional das áreas afetadas.
Por isso, esse processo é mais significativo nas regiões de maior pluviosidade, onde a água "lava" os solos, transportando nutrientes essenciais para o crescimento das plantas.
Salinização
A salinização consiste no aumento dos sais minerais presentes no solo, chegando a um ponto que afeta a produtividade de uma determinada região. Esses sais minerais se apresentam principalmente na forma de íons como Na+ e Cl-, sendo mais comuns em áreas de clima árido e semiárido, onde as taxas de evaporação são muito acentuadas.
Processo de Salinização por Irrigação:
Passo 1: Irrigação com água contendo sais minerais
Passo 2: Evaporação da água sob altas temperaturas
Passo 3: Acúmulo progressivo de sais no solo
Passo 4: Redução da produtividade agrícola
Resumidamente, a ocorrência da salinização está relacionada com práticas de irrigação que utilizam água com elevado teor de sais. É importante lembrar que os sais minerais estão sempre presentes na água, como o potássio e muitos outros. Com a evaporação da água, os sais se acumulam no solo e aumentam sua salinidade.
Laterização
Consiste no acúmulo de hidróxidos de ferro e alumínio, alterando a composição e a aparência dos solos. Este processo é resultante, principalmente, da alteração da camada superficial pelo intemperismo químico associado à sua lavagem excessiva pela lixiviação.
O processo de laterização é mais comum em áreas úmidas e quentes de climas tropicais e pode ser intensificado por queimadas e desmatamentos, pois a vegetação ajuda a proteger os solos do elevado desgaste proporcionado pela água das chuvas.
Apesar de ser importante para a formação dos latossolos, a laterização pode ser considerada um problema de degradação ambiental pois dificulta a penetração de raízes e diminui a fertilidade.
Arenização
Consiste na formação de bancos de areia em solos já de consistência arenosa em regiões que, diferentemente das áreas que se desertificam, apresentam climas mais úmidos e com maiores volumes de chuva, onde a infiltração e o escoamento da água são superiores aos índices de evaporação.
As causas para o processo de arenização estão, sobretudo, relacionadas com a remoção da vegetação, que protege e firma os solos. Assim, as chuvas vão gradativamente lavando o terreno e removendo os seus nutrientes em um processo que pode ser ainda mais intensificado pela prática excessiva da agricultura ou da pecuária.
No Brasil, esse processo é bastante comum na região Sul, sendo diferente da desertificação por ocorrer em climas mais úmidos.
Desertificação
Consiste no processo de degradação e esgotamento dos solos que ocorre em regiões de clima árido, semiárido e subúmido, onde a pluviosidade não é maior do que 1400mm anuais e, portanto, a evaporação é maior do que a infiltração.
A desertificação recebe esse nome porque provoca uma mudança da paisagem para algo próximo à paisagem de um deserto, embora não necessariamente a área formada possa ser considerada como tal.
Embora esse problema apresente algumas causas naturais, como o clima e a predisposição para a sua ocorrência, os seus principais determinantes estão associados às práticas antrópicas, tais como o desmatamento, as queimadas, o uso intensivo do solo pela agropecuária, mineração, irrigação incorreta, entre outros.
Poluição
A poluição direta ou contaminação consiste na alteração química da composição dos solos, tornando-os muitas vezes, inférteis. Trata-se de um problema eminentemente antrópico e causado pelo uso excessivo de agrotóxicos, defensivos e fertilizantes na agricultura e também pela infiltração de materiais orgânicos poluentes em áreas de lixões, aterros sanitários e até em cemitérios, onde há uma elevada taxa de formação de chorume.
Além de tornar os solos improdutivos e afetar a qualidade de vida da população que vive sobre eles, esse tipo de contaminação pode afetar o lençol freático, a vegetação de uma determinada localidade e até a fauna, prejudicando o funcionamento dos ecossistemas.
Para isso, é preciso haver uma maior conscientização social e a adoção de medidas de diminuição da poluição dos solos e de seus recursos naturais.
Técnicas de conservação dos solos
Terraceamento
Consiste na implementação de terraços para o cultivo em áreas de vertentes. Esses terraços nada mais são do que cortes nas superfícies inclinadas, conferindo uma formação semelhante aos degraus de uma escada. Essa composição faz com que a água perca a força de deslocamento em períodos chuvosos, no sentido de garantir a infiltração (dispensando a irrigação) e no sentido de diminuir o impacto erosivo das águas pluviais (erosão laminar).
O terraceamento é especialmente eficaz em regiões montanhosas e de alta declividade, permitindo o aproveitamento agrícola de áreas que seriam inadequadas para cultivo convencional.
Curvas de nível
Consistem no cultivo das espécies perfilando-as conforme as variações altimétricas do terreno, o que, assim como no caso do terraceamento, diminui o impacto da erosão pela ação do escoamento da água das chuvas. Esta técnica é especialmente eficaz em terrenos com declividade moderada.
Rotação de culturas
Volta-se especificamente à conservação dos nutrientes do solo e nada mais é do que a alternância entre os tipos de elementos agrícolas a serem cultivados. Por exemplo, primeiramente cultiva-se milho e após a colheita, opta-se pelo sorgo e assim sucessivamente. Dessa forma, cada espécie cultivada consegue repor os nutrientes do solo retirados pela espécie anterior.
Exemplo de Rotação de Culturas:
Ano 1: Milho (consome nitrogênio)
Ano 2: Soja (leguminosa que fixa nitrogênio)
Ano 3: Trigo (aproveita o nitrogênio fixado)
Ano 4: Retorna ao milho com solo enriquecido
Esta prática é fundamental para manter a fertilidade do solo ao longo do tempo, já que diferentes culturas têm necessidades nutricionais distintas e algumas, como as leguminosas, podem até enriquecer o solo com nitrogênio através da fixação biológica.
Afolhamento
Método agrícola que consiste na divisão da área de plantio em três partes: duas delas com culturas diferentes de cultivo e uma outra em descanso. Assim, após cada colheita, a utilização de cada uma das partes alterna-se, de modo que a cada vez, uma permanecerá em descanso, o suficiente para permitir a reposição natural dos nutrientes do solo sem a necessidade de parar a produção.
Plantio direto
O produtor agrícola mantém palha e restos de culturas anteriores sobre o solo, o que garante proteção e evita, principalmente, a erosão. Outros benefícios são a redução do impacto ambiental, além disso, a água infiltra com maior facilidade no solo, que também se torna mais enriquecido organicamente.
Nesta técnica, os custos de produção podem ser diminuídos, afinal, o processo de aração é dispensado. Quanto menos mexer no solo melhor.
Reflorestamento
Nada mais é do que tentar deixar uma área como ela era em seu estado natural, aquele encontrado antes da utilização do solo para cultivo, aqui a vegetação natural deve ser recuperada, para que possa atuar sobre o solo desgastado. As construções de aplicação estão também entre elas: evitar a erosão, também, possibilita uma melhor infiltração da água no solo, que por consequência chegará aos lençóis freáticos.
Preservar a mata ciliar também é muito importante para evitar assoreamento dos rios e manter o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Por fim, o (re) plantio auxilia no equilíbrio do ecossistema.
Adubação
É empregada para diminuir a erosão e manter os solos cobertos entre um plantio e outro. A ideia é plantar uma cultura que aumente a fertilidade do solo, mas não necessariamente esta precisa trazer lucro para o agricultor. Como resultado da aplicação, deste processo, o próximo plantio terá maior produtividade, esta técnica é conhecida como adubação verde.
Outra forma de adubação é incorporar produtos químicos que contenham substâncias perdidas pelo solo, seja devido à erosão de manejo ou a erosão. Podem ser utilizados adubos orgânicos (esterco, por exemplo) ou minerais (os industrializados).
Pontos-Chave para Lembrar:
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Os solos sofrem diversos impactos: erosão, lixiviação, salinização, laterização, arenização, desertificação e poluição são os principais processos de degradação que afetam a qualidade dos solos.
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As atividades humanas intensificam a degradação: práticas inadequadas de agricultura, desmatamento, queimadas e uso excessivo de químicos aceleram os processos naturais de degradação do solo.
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Existem técnicas eficazes de conservação: terraceamento, curvas de nível, rotação de culturas, plantio direto e reflorestamento são estratégias fundamentais para preservar os solos.
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A prevenção é mais eficaz que a recuperação: implementar técnicas de conservação desde o início é mais econômico e eficiente do que tentar recuperar solos já degradados.
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A sustentabilidade agrícola depende da conservação dos solos: manter a qualidade dos solos é essencial para garantir a produção de alimentos e a preservação ambiental para as futuras gerações.