A Guerra Fria: os tempos da bipolaridade (ENEM História): Notas de revisão
A Guerra Fria: Os Tempos da Bipolaridade (1947-1955)
Introdução: O que foi a Guerra Fria?
A Guerra Fria representa o período de tensão mundial que se estabeleceu após o fim da Segunda Guerra Mundial. Com a derrota das potências totalitárias na Europa e na Ásia, uma nova questão passou a dominar as relações internacionais: a rivalidade entre os soviéticos e os norte-americanos, que antes eram aliados contra o nazifascismo, mas agora se voltavam ao status de inimigos das democracias ocidentais.
O Início da Bipolaridade (1947)
Após 1945, o mundo se viu dividido entre duas superpotências que emergiram vitoriosas da guerra:
A Ascensão dos Estados Unidos
- A Grã-Bretanha, tradicional potência europeia, estava arrasada e esgotada, sem condições de manter o equilíbrio europeu
- Os Estados Unidos assumiram o papel de liderança mundial, ocupando o lugar antes desempenhado pelos ingleses
- A economia americana se fortaleceu enormemente durante o conflito
O Novo Cenário Mundial
O período entre 1945-1989 foi caracterizado pela ausência de confronto direto entre norte-americanos e soviéticos. Devido aos armamentos nucleares, ambos os governos temiam uma guerra nuclear.
O pensador francês Raymond Aron sintetizou o período com a expressão: "paz impossível, guerra improvável".
A Doutrina Truman e a Política de Contenção
O Discurso de Truman (1947)
Em 12 de março de 1947, o presidente Harry Truman solicitou auxílio econômico para a Grécia e a Turquia ao Congresso americano, demonstrando a emergência dos Estados Unidos como nova potência mundial.
A Doutrina Truman estabeleceu a linha de conduta externa americana no pós-guerra: a contenção do comunismo. Esta política determinava que os Estados Unidos deveriam apoiar os povos livres que resistiam à subjugação por minorias armadas ou pressões externas.
A Política de Contenção
A assistência americana incluiria:
- Ajuda financeira e econômica
- O envio de pessoal civil e militar
- Impedir que a área de influência soviética se expandisse além dos limites estabelecidos no final da Segunda Guerra Mundial
A Teoria da Contenção
O intervencionismo americano estava diretamente associado às questões de segurança nacional. Os presidentes americanos seguiram a "Teoria da Contenção", desenvolvida por George Kennan, que defendia que a área de influência soviética deveria permanecer restrita aos limites conquistados ao final da Segunda Guerra Mundial.
A Divisão da Europa e da Alemanha
O Primeiro Campo de Disputa
O continente europeu tornou-se o primeiro palco de disputas da Guerra Fria. Pela Conferência de Potsdam, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, controladas pelas três grandes potências aliadas e a França.
A Situação de Berlim
A Alemanha ficou dividida em:
- República Federal da Alemanha (Ocidental): zona soviética
- República Democrática da Alemanha (Oriental): zonas americana, inglesa e francesa
Berlim Ocidental tornou-se uma ilha de prosperidade econômica dentro da zona de ocupação soviética. Os norte-americanos investiram grandes somas na economia berlinense como forma de propaganda do regime democrático e capitalista contra o socialismo soviético.
O Bloqueio de Berlim
Para forçar os americanos a abandonarem a cidade, os soviéticos estabeleceram um bloqueio aos acessos à cidade de Berlim Ocidental. Os americanos responderam criando uma ponte aérea para manter o abastecimento da cidade. Em 1961, durante a presidência de Kennedy e do líder soviético Nikita Kruschev, os comunistas construíram o Muro de Berlim para evitar a fuga da população do lado comunista para o Ocidente.
O Plano Marshall e a Reconstrução Econômica
O Plano Marshall (1947) foi um programa de ajuda financeira para a reconstrução da Europa cujos objetivos principais eram:
- Fortalecer os países capitalistas
- Anular a influência do comunismo na Europa Ocidental
- Impedir interferência norte-americana na aceitação da ajuda
Impactos Econômicos
O Plano Marshall foi oferecido para todos os países europeus, sem restrições aos regimes socialistas. A União Soviética, preocupada em manter sua zona de influência sem interferência norte-americana, proibiu a aceitação de ajuda do Plano Marshall. Os soviéticos criaram então o Comecon (1949), espécie de bloco econômico dos países socialistas.
A Reforma Monetária Alemã
Na República Federal da Alemanha, houve uma Reforma Monetária em 21 de junho de 1948, que criou o Deutsche Mark. Esta reforma, planejada pelo técnico norte-americano Dodge, foi posteriormente implementada por Ludwig Erhard, futuro ministro da Economia e chanceler da República Federal Alemã.
As Alianças Militares
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)
Inicialmente, os europeus ocidentais solicitaram ao governo norte-americano a organização de um tratado de defesa militar mútua. O governo Truman criou então a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
O princípio fundamental da OTAN era um sistema defensivo baseado na ideia de que um ataque contra um país-membro significaria uma guerra mundial.
A Resposta Soviética: Pacto de Varsóvia
Os soviéticos, após a OTAN e a remilitarização da República Federal da Alemanha, responderam com a criação do Pacto de Varsóvia em 1955. O Pacto de Varsóvia tinha os mesmos objetivos da OTAN e foi acionado em 1956 contra os húngaros, e em 1968, na chamada Primavera de Praga.
A Revolução Chinesa (1949) e seus Impactos
O Contexto da Revolução
A Segunda Revolução Industrial trouxe grandes transformações desde meados do século XIX, resultando em uma expansão irreversível das atividades capitalistas. O capitalismo de livre concorrência, típico do início da Revolução Industrial do século XVIII, estava sendo substituído pelo capitalismo monopolista ou de oligopólio.
A Vitória Comunista
Durante todo o período de disputa pelo poder na China, três forças políticas principais estiveram envolvidas:
- Os invasores japoneses (que constituíram um governo fantoche na Manchúria)
- Os nacionalistas ou Sociedade para o Renascimento Nacional (Kuomintang)
- Os comunistas, liderados por Mao Zedong
Em 1º de outubro de 1949, a China tornou-se a mais nova nação comunista. O marxismo chinês ficaria conhecido como maoísmo.
As Consequências Geopolíticas
A vitória da Revolução modificou o mapa geopolítico asiático. Os chineses:
- Incorporaram o Tibet em 1950
- Apoiaram os movimentos comunistas na Coreia do Norte e no Vietnã do Norte
- Criaram duas Chinas: a República Popular da China (comunista) e a China nacionalista ou Taiwan (também denominada Formosa)
A Guerra da Coreia (1950-1953)
O Primeiro Teste Militar da Contenção
A Guerra da Coreia foi o primeiro teste militar da política de contenção. Defender Berlim do isolamento soviético era uma tarefa relativamente simples se comparada com a necessidade de convencer a opinião pública norte-americana sobre o envio de milhares de soldados para a distante Coreia em nome do combate ao comunismo.
O Desenvolvimento do Conflito
A guerra começou quando o Norte, apoiado pela União Soviética e pela China comunista, atacou a Coreia do Sul, de tendência capitalista, com o objetivo de unificar a península sob o regime comunista.
Características da Divisão Coreana:
| Aspecto | Coreia do Norte | Coreia do Sul |
|---|---|---|
| Nome Oficial | República Popular Democrática da Coreia | República da Coreia |
| Sistema Político | Socialismo | Capitalismo |
| Superpotência Aliada | União Soviética | Estados Unidos |
O Resultado da Guerra
A Guerra da Coreia (1950-1953) caracterizou-se por ser limitada, empregando armas convencionais e equilibrada, pois não houve vencedores. A guerra confirmou a tendência das superpotências de encontrar um ponto de equilíbrio que não ultrapassasse um determinado limite, evitando que um choque localizado pudesse colocar em risco a existência dos grandes competidores.
O Macartismo nos Estados Unidos
A "Histeria Vermelha"
A década de 1950 inaugurou o período da "histeria vermelha" nos Estados Unidos. Os primeiros sintomas do perigo comunista surgiram em 1948, quando Whittaker Chambers, ex-agente de Moscou, denunciou Alger Hiss, funcionário do Departamento de Estado, de ter entregado cópias de documentos secretos durante os anos de 1930.
Joseph McCarthy e a Perseguição Anticomunista
A cruzada anticomunista ganhou um grande nome: Joseph R. McCarthy. Este senador, eleito em 1946 pelo estado de Wisconsin, impulsionou sua carreira política ao anunciar publicamente que o Departamento de Estado da administração de Dean Acheson possuía centenas de funcionários "notoriamente comunistas".
McCarthy, aproveitando-se de sua imunidade parlamentar, chegou a acusar os generais George C. Marshall e Dwight D. Eisenhower de conivência com os soviéticos. O macartismo colocava-se sob a proteção da América.
Um dos principais grupos a sofrer com as perseguições do macartismo foi a classe artística norte-americana. Os grandes estúdios e redes de televisão, sob pressão de patrocinadores e do Comitê de Atividades Antiamericanas, adotaram uma "lista informal" que excluía do mercado profissionais supostamente vinculados a atividades subversivas.
O Fim da Era McCarthy
A demagogia macartista teve um final merecido e inglório. Em 1954, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução de censura contra Joseph McCarthy. O relatório do Comitê Legislativo concluiu que o senador transgrediu suas funções ao "lançar a desonta e o descrédito ao Senado, obstruindo os processos constitucionais e deslustrando-lhe a dignidade".
Pontos-Chave para Lembrar:
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A Guerra Fria (1947-1955) foi o período inicial da bipolaridade mundial entre Estados Unidos e União Soviética, caracterizado pela ausência de confronto direto devido às armas nucleares
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A Doutrina Truman estabeleceu a política de contenção do comunismo como estratégia central da política externa americana no pós-guerra
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O Plano Marshall foi fundamental para a reconstrução econômica da Europa Ocidental e para conter a influência soviética na região
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A Revolução Chinesa de 1949 alterou significativamente o equilíbrio geopolítico mundial, criando uma nova potência comunista na Ásia
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O Macartismo representou a perseguição interna anticomunista nos Estados Unidos, demonstrando como a Guerra Fria afetou também a política doméstica americana