A Guerra Fria: os tempos da coexistência pacífica (ENEM História): Notas de revisão
A Guerra Fria: Os Tempos da Coexistência Pacífica (1956-1981)
Introdução
O período da Coexistência Pacífica marca uma fase importante da Guerra Fria, caracterizada por momentos de distensão entre as superpotências. Compreender esse período é essencial para entender como os conflitos ideológicos se manifestaram tanto internamente nos países quanto nas relações internacionais.
A Coexistência Pacífica não significava o fim das tensões da Guerra Fria, mas sim uma nova fase onde diplomacia e negociação ganharam maior destaque, mesmo com a manutenção da rivalidade ideológica.
A Luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos
Contexto Histórico
Durante as décadas de 1950 e 1960, os Estados Unidos enfrentavam sérias questões raciais internamente. A segregação racial era uma realidade nas escolas públicas e no transporte público, especialmente no sul do país.
Figuras Importantes do Movimento
Rosa Parks
- Ativista fundamental no movimento contra a segregação racial
- Sua recusa em ceder o assento no ônibus simbolizou a resistência pacífica
- Inspirou o boicote aos ônibus que praticavam segregação
Martin Luther King Jr.
- Liderou a Southern Christian Leadership Conference (SCLC) fundada em 1957
- Defendeu a filosofia do pacifismo inspirada em Gandhi
- Promoveu manifestações pacíficas do tipo sit-ins
Marcos Importantes do Movimento
Eventos de 1960
- Quatro estudantes negros promoveram um sit-in em uma lanchonete em Greensboro, Carolina do Norte
- Essas manifestações se espalharam por todo o país, atraindo atenção nacional
A Famosa Marcha sobre Washington (1963)
- King proferiu seu mundialmente famoso discurso "I Have a Dream"
- Evento marcou o movimento pelos direitos civis internacionalmente
- No ano seguinte, King foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz
O discurso "I Have a Dream" foi proferido diante de mais de 250.000 pessoas e se tornou um dos momentos mais emblemáticos da luta pelos direitos civis, sendo transmitido ao vivo pela televisão para milhões de americanos.
Conexão com a Guerra do Vietnã
King combinou seu discurso pacifista pelos direitos civis com campanhas contra a Guerra do Vietnã, criticando o desperdício de recursos que poderiam ser empregados no combate à pobreza e discriminação. Essa postura irritou o governo de Lyndon B. Johnson.
Assassinato de Martin Luther King (1968)
- King foi assassinado por James Earl Ray em 4 de abril de 1968
- Sua morte chocou a nação e provocou manifestações por todo o país
- King foi sepultado em Atlanta, sob um monumento com as palavras finais de seu discurso de 1963
As Doutrinas de Contenção do Comunismo
A Política de John Foster Dulles
Em 1954, o Secretário de Estado John Foster Dulles anunciou a política externa do governo Eisenhower, que consistia em promover uma "retaliação massiva" em caso de agressão aos Estados Unidos ou seus aliados.
MAD (Destruição Mutuamente Garantida)
A estratégia de "retaliação massiva" ficou conhecida pela sigla MAD (Mutually Assured Destruction), que significava que qualquer conflito nuclear seria excessivamente arriscado devido ao potencial de destruição total.
Conceito-chave: MAD (Destruição Mutuamente Garantida)
Estratégia militar baseada na suposição de que nenhuma das superpotências iniciaria um conflito devido ao risco de deflagrar uma guerra nuclear generalizada. Paradoxalmente, essa doutrina promoveu a paz através do medo mútuo da aniquilação.
Características da MAD:
- Baseava-se na suposição de que nenhuma superpotência iniciaria um conflito nuclear
- Promovia a aproximação entre as superpotências para controlar arsenais nucleares
- Resultou em conversações sobre limitação de armas nucleares
Acordos de Limitação de Armas
Em 1969, americanos e soviéticos iniciaram conversações sobre armamentos nucleares, culminando com o Tratado de Limitação das Armas Estratégicas (SALT) de 1972, que estabelecia limites para mísseis intercontinentais.
A Rebelião do Império Vermelho (1956)
Morte de Stalin e Mudanças no Bloco Soviético
Em 1953, Stalin morreu, deixando um vácuo de poder que seria disputado dentro do Politburo. Nikita Kruschev emergiu como líder, trazendo mudanças significativas.
Processo de Desestalinização
Kruschev promoveu a chamada "desestalinização" - a denúncia do culto à personalidade de Stalin e dos expurgos da década de 1930. Essa política gerou instabilidade no bloco soviético.
A desestalinização representou uma mudança radical na política soviética, incluindo a liberação de prisioneiros políticos, o relaxamento da censura e a denúncia dos crimes cometidos durante o regime stalinista.
A Revolução Húngara (1956)
- Manifestações populares exigiam reformas políticas na Hungria
- Nagy foi readmitido ao Partido e declarou a intenção de retirar o país do Pacto de Varsóvia
- A União Soviética respondeu com ação militar, resultando em milhares de mortes
- Tanques soviéticos invadiram Budapeste, reprimindo violentamente a revolta
Consequências da Revolução Húngara:
- Demonstrou os limites da liberalização no bloco soviético
- Revelou que Moscou não toleraria questionamentos à sua autoridade
- Marcou um episódio importante da Guerra Fria na Europa
- Mostrou ao mundo que a "desestalinização" tinha limites claros
A Guerra Fria na América Latina: A Crise dos Mísseis
A Revolução Cubana
Cuba se tornou um ponto de tensão durante o século XX, especialmente após a independência em 1898. A Emenda Platt de 1902 permitia intervenções americanas na ilha.
Ascensão de Fidel Castro:
- Estudante de Direito que se tornou líder da resistência contra o governo de Batista
- Movimento revolucionário de 26 de julho conseguiu destituir Batista em 1959
- Castro implementou reformas nacionalistas, incluindo reforma agrária
Políticas Americanas contra Cuba
Invasão da Baía dos Porcos (1961)
- Kennedy armou exilados cubanos para uma invasão fracassada
- O episódio gerou grande constrangimento para o governo americano
- Levou Castro a se aproximar ainda mais da União Soviética
Embargo Econômico
- EUA estabeleceram embargo comercial contra Cuba
- Objetivo era isolar economicamente o governo revolucionário
- Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos
A Crise dos Mísseis (1962)
Cronologia da Crise dos Mísseis de Cuba
Outubro de 1962:
- URSS instalou mísseis nucleares em território cubano
- Kennedy descobriu a existência das armas através de fotos de reconhecimento
- Kennedy ameaçou nova invasão e impôs bloqueio naval a Cuba
- Mundo ficou à beira de um conflito nuclear durante 13 dias
- Solução negociada: URSS retira mísseis de Cuba, EUA se comprometem a não invadir a ilha
Consequências da Crise dos Mísseis:
- Estabeleceu um clima de distensão nas relações internacionais
- Marcou o início de diversas negociações entre superpotências
- Contribuiu para acordos de limitação de armas nucleares
- Levou à instalação da "linha vermelha" entre Washington e Moscou
- Demonstrou que a diplomacia poderia prevenir uma guerra nuclear
Pontos-Chave para Lembrar:
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Coexistência Pacífica (1956-1981): Período caracterizado por momentos de distensão e negociação entre EUA e URSS, apesar das tensões ideológicas persistentes.
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Direitos Civis: O movimento liderado por figuras como Martin Luther King Jr. demonstrou como questões internas americanas se relacionavam com a política externa durante a Guerra Fria.
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MAD: A estratégia de Destruição Mutuamente Garantida paradoxalmente promoveu a aproximação entre superpotências para evitar conflitos nucleares.
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Desestalinização: O processo iniciado por Kruschev gerou instabilidade no bloco soviético, culminando em eventos como a Revolução Húngara de 1956.
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Crise dos Mísseis: O episódio de 1962 em Cuba quase levou a um conflito nuclear mundial, mas acabou abrindo caminho para negociações e acordos de limitação de armas.