O imperialismo: novas colonizações e antigos colonizadores (ENEM História): Notas de revisão
O Imperialismo: Novas Colonizações e Antigos Colonizadores
Introdução
O imperialismo representa um fenômeno histórico crucial do final do século XIX e início do XX, caracterizado pela expansão das potências industrializadas sobre territórios na África, Ásia e América. Este processo está intimamente ligado ao desenvolvimento da Segunda Revolução Industrial e às transformações do capitalismo.
O imperialismo moderno difere fundamentalmente do colonialismo dos séculos XV-XVI, sendo impulsionado pelas necessidades industriais de matérias-primas e novos mercados consumidores.
Segunda Revolução Industrial e Capitalismo Monopolista
Transformações Técnicas e Econômicas
A Segunda Revolução Industrial trouxe mudanças significativas nos métodos de produção, substituindo a força humana pela mecânica. Diferentemente da primeira revolução, que ocorreu principalmente na Inglaterra no século XVIII, esta segunda fase aconteceu simultaneamente na Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão.
Capitalismo Monopolista
O período assistiu ao surgimento do capitalismo monopolista, onde grandes empresas passaram a dominar os mercados, limitando a participação de competidores menores. Esta nova forma econômica gerou:
- Oligopólios: poucos grupos controlando setores inteiros
- Trustes e cartéis: organizações empresariais para eliminar concorrência
- Holdings: empresas controladoras de outras empresas
- Práticas como dumping para eliminar rivais
O capitalismo monopolista representou uma transformação fundamental na organização econômica, concentrando poder em poucas empresas e eliminando a livre concorrência que caracterizava o capitalismo liberal anterior.
Contexto Alemão
Alemanha Unificada como Potência Industrial
A Alemanha unificada tornou-se um importante competidor industrial. O movimento operário alemão, influenciado pelas ideias de Karl Marx, organizou-se através do Partido Social-Democrata. As reformas sociais implementadas por Bismarck incluíam assistência médica, seguro contra acidentes e aposentadoria - inovações para a época.
Contexto Norte-Americano
Industrialização Pós-Guerra Civil
Nos Estados Unidos, a industrialização acelerou após a Guerra Civil (1861-65). O país adotou políticas protecionistas e incentivou a imigração europeia para suprir a necessidade de mão de obra. Grandes corporações como United States Steel e Standard Oil consolidaram o poder econômico, levando posteriormente a leis antitruste.
Contexto Japonês
Era Meiji: Modernização Japonesa
O Japão passou por um processo único de modernização através da Era Meiji (1868-1912). O país implementou reformas que promoveram a centralização política, modernização econômica e ocidentalização, transformando-se de uma sociedade feudal em uma potência industrial.
Justificativas Ideológicas do Imperialismo
"Fardo do Homem Branco"
O discurso imperialista europeu baseava-se na ideia da "missão civilizatória", popularizada por Rudyard Kipling. Esta justificativa alegava que era responsabilidade dos povos "civilizados" levar progresso, modernidade e valores cristãos aos territórios considerados "atrasados".
Perspectiva Racista e Eurocêntrica
A perspectiva racista e eurocêntrica destes argumentos buscava legitimar a dominação territorial através da suposta superioridade cultural europeia. A ação imperialista era apresentada como benéfica para os povos colonizados, mascarando os verdadeiros interesses econômicos das potências imperialistas.
Diferenças: Colonialismo vs. Neocolonialismo/Imperialismo
| Colonialismo (sécs. XV-XVI) | Neocolonialismo/Imperialismo (séc. XIX) |
|---|---|
| Benefício do Estado | Benefício da alta burguesia |
| Busca por metais preciosos | Busca por matérias-primas |
| Pequena imigração | Incentivo à imigração |
| Difusão do cristianismo | Difusão da "civilização" |
Esta tabela ilustra como o imperialismo do século XIX representou uma nova fase da expansão europeia, motivada pelas necessidades industriais e pelos interesses da burguesia capitalista, diferindo significativamente dos objetivos coloniais anteriores.
Partilha da África
Era Vitoriana e Imperialismo Britânico
Durante o longo reinado da Rainha Vitória (1838-1901), a Inglaterra consolidou seu império colonial. O período imperialista britânico recebeu denominação especial referente a este reinado glorioso.
Conferência de Berlim (1884-1885)
Este encontro crucial estabeleceu as regras para a divisão territorial africana entre as potências europeias.
Objetivos da Conferência de Berlim:
- Estabelecer linhas de partilha da África
- Evitar conflitos imperialistas entre países europeus
- Garantir regiões coloniais para a Alemanha
Bismarck conseguiu assegurar domínio alemão sobre territórios na Namíbia, Togo, Camarões e Tanzânia.
A Conferência de Berlim dividiu a África sem qualquer participação ou consulta aos povos africanos, tratando o continente como território disponível para colonização europeia.
Conflitos e Crises
As deliberações não evitaram completamente disputas territoriais. Casos notáveis incluem:
- Crises no Marrocos: conflitos entre França e Alemanha pelo controle marroquino
- Conflito dos Bôeres (1889-1902): guerra entre colonos holandeses e britânicos na África do Sul
- Formação da União Sul-Africana após vitória britânica
Partilha da Ásia
Império Chinês
A China representou o maior alvo da ação imperialista asiática devido ao seu potencial mercadológico. Os chineses mantinham políticas restritivas ao comércio exterior, gerando tensões com potências ocidentais.
Guerra do Ópio (1839-1842)
Conflito Paradigmático: Guerra do Ópio
Este conflito marcou o início da submissão chinesa aos interesses imperialistas:
Causa: Proibição chinesa do comércio de ópio controlado pelos britânicos
Desenvolvimento: A Inglaterra usou força militar para impor seus interesses comerciais
Resultado: Tratado desigual favorecendo exclusivamente a Inglaterra
Consequências: Abertura forçada de portos chineses e concessões territoriais
Políticas de Portas Abertas
Os Estados Unidos defenderam uma política de "portas abertas" na China, enquanto o Japão iniciou sua própria expansão imperialista sobre territórios asiáticos, incluindo a Manchúria chinesa e a Península da Coreia.
Índia Britânica
A Índia tornou-se a "joia da coroa" do Império Britânico. Após a Revolta dos Cipaios (1857-59), os britânicos assumiram controle direto, substituindo a Companhia Britânica das Índias Orientais pela administração governamental direta.
Imperialismo Americano
Doutrina Monroe (1823)
Os Estados Unidos declararam sua intenção de não tolerar interferência europeia nas Américas, estabelecendo sua área de influência exclusiva no continente.
Big Stick Policy
Theodore Roosevelt implementou a política do "grande porrete" (Big Stick), simbolizando o imperialismo norte-americano.
Características da Big Stick Policy:
- Intervenções militares no Caribe
- Criação do Canal do Panamá
- Estabelecimento de protetorados
- Uso da força militar para garantir interesses econômicos americanos
Guerra Hispano-Americana (1898)
Este conflito resultou na aquisição americana de Cuba, Porto Rico, Filipinas e Guam, consolidando os Estados Unidos como potência imperialista.
Pontos-Chave para Lembrar:
- O imperialismo do século XIX difere do colonialismo anterior pela busca de matérias-primas e mercados para produtos industrializados
- A Segunda Revolução Industrial criou o capitalismo monopolista, concentrando poder econômico em grandes corporações
- A Conferência de Berlim (1884-1885) organizou a partilha da África entre potências europeias sem considerar povos locais
- As justificativas ideológicas incluíam o "fardo do homem branco", mascarando interesses econômicos com discursos civilizatórios
- O Japão foi único por implementar modernização própria e tornar-se potência imperialista asiática