Classicismo: Renascimento (ENEM Literatura): Notas de revisão
Classicismo: Renascimento
O que é o classicismo?
O Classicismo representa a fase literária do Renascimento, um período que marcou o fim da Idade Média e o início de uma nova era cultural. Durante essa época, observamos o enfraquecimento do sistema feudal, o fortalecimento do comércio e a ascensão da classe burguesa, além do início da formação do sistema capitalista.
O movimento renascentista marca uma transição fundamental na história ocidental, saindo do teocentrismo mediaeval para uma perspectiva mais humanista e antropocêntrica.
Contexto histórico do renascimento
Transformações sociais e culturais
O movimento renascentista trouxe uma perspectiva mais antropocêntrica e liberal para a sociedade. A Igreja Católica perdeu parte de sua influência com o surgimento das forças burguesas e do catolicismo mediaeval, resultando no movimento da Reforma Protestante.
Desde o final do século XIV, especialmente na Itália, houve um crescimento significativo no desenvolvimento de valores góticos e uma humanização crescente do pensamento. Isso resultou em avanços em ideias relacionadas à economia, organização política e descobertas científicas, especialmente nas artes.
A perda gradual da influência da Igreja Católica foi fundamental para o desenvolvimento do pensamento humanista e das transformações culturais do período.
O florescimento do conhecimento
A partir do século XV, as ideias renascentistas na região da Toscana italiana começaram a se expandir para outras regiões, em plena conjunção com o surgimento do humanismo filosófico. Intensificaram-se os estudos sobre a realidade e a representação artística própria.
Durante o século XVI, houve um grande desenvolvimento das técnicas e conhecimentos em diversas áreas do sabre humano. Foi o renascimento de valores clássicos acompanhado de inovações artísticas e científicas jamais antes vistas na história da humanidade.
Arte renascentista
Características principais
A arte renascentista resgata os valores e ideais da antiguidade clássica, mas com uma busca constante pela representação formal mais realista possível. O racionalismo é a principal característica do fazer artístico, com o desenvolvimento de cálculos matemáticos para o entendimento das representações.
O racionalismo renascentista representou uma revolução na forma de conceber e produzir arte, baseando-se em princípios científicos e matemáticos para alcançar maior precisão e realismo.
Técnicas e elementos artísticos
Os estudos aprofundados em várias áreas contribuíram significativamente para o surgimento de novas técnicas de pintura e escultura, elevando o conhecimento e a realização artística a níveis jamais antes vistos.
Em consonância com os valores clássicos, as obras buscam o equilíbrio e a simetria da representação, apresentando a principal inovação em termos das artes visuais: a perspectiva. O domínio desta técnica permitiu representações cada vez mais realistas, impressionando pela distribuição das luzes e sombras.
A técnica da perspectiva foi uma das maiores conquistas da arte renascentista, permitindo criar a ilusão de profundidade e tridimensionalidade nas obras bidimensionais.
Temática e representação
A temática renascentista ultrapassa os cânones cristãos, apesar de muitas obras retratarem histórias religiosas sob o ponto de vista católico, que já tinham sido contestadas pela Igreja. É comum a representação de deuses e divindades mitológicas, como uma espécie de "tributo" temático aos valores da antiguidade.
A arquitetura renascentista preserva valores clássicos, suas ordens e proporções. Catedrais e basílicas foram erguidas como forma de demonstração do poder da Igreja Católica. A grandiosidade das construções era complementada por suas formas equilibradas e simétricas, gerando um resultado que impressiona os visitantes até os dias de hoje.
Classicismo português
Origens e desenvolvimento
Pode-se dizer que o Classicismo corresponde à fase literária do Renascimento. Desde o período humanista, há a tendência de estabelecer algumas obras dentro dos limites do Renascimento. Este é o caso, por exemplo, de Dante Alighieri e sua Divina Comédia.
Francesco Petrarca, poeta italiano inventor do soneto, e Giovanni Boccaccio, com seu clássico Decamerão, representam marcos importantes. O período estende-se ao longo de vários séculos e abarca inúmeros gênios da humanidade como William Shakespeare, François Rabelais e Miguel de Cervantes.
Estes grandes nomes da literatura mundial demonstram a amplitude e a influência do movimento renascentista em diferentes países e culturas europeias.
O início do movimento em Portugal
Em Portugal, o movimento teve início em 1527, pouco mais do que o poeta Francisco Sá de Miranda retornara de uma viagem à Itália. O poeta torna-se o grande renovador da arte literária lusitana ao trazer a chamada "nova e doce forma poética" para a língua portuguesa.
Tratava-se do formato italiano de soneto, com dois quartetos e dois tercetos, geralmente composto em decassílabos, formato que se tornou o mais popular na língua portuguesa.
A data de 1527 marca oficialmente o início do Classicismo português, quando Francisco Sá de Miranda introduziu as formas poéticas italianas em Portugal.
Luís Vaz de Camões e Os Lusíadas
Entretanto, é com Luís Vaz de Camões que a literatura do período chega ao ápice. O escritor, expoente máximo da poesia lusitana, destaca-se tanto na produção de poesias líricas quanto na construção da maior epopeia em língua portuguesa: Os Lusíadas.
Os Lusíadas é um poema épico em que se narra a história de Portugal desde sua fundação mítica e em que se exalta o povo português, celebrando os grandes feitos da navegação e os heróis guerreiros da nação lusitana.
Os Lusíadas não é apenas uma obra literária, mas também um documento histórico que eterniza os feitos dos navegadores portugueses e a expansão marítima lusitana.
Exemplo de poesia camoniana
Em sua produção lírica, Camões utiliza tanto da chamada "medida velha" (redondilhas) quanto da "medida nova" (decassílabos) com extrema habilidade. Sua temática apresenta certo descontentamento com o mundo e uma dualidade que se dá entre o amor material e aquele idealizado.
Exemplo de Soneto Camoniano:
Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer; É um andar solitário entre a gente; É nunca contentar-se e ser contente; É um cuidar que ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence o vencedor; É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Este soneto exemplifica perfeitamente a análise intelectual do sentimento amoroso, característica marcante da produção camoniana e do período clássico português.
Pontos-Chave para Lembrar:
- O Classicismo corresponde à fase literária do Renascimento, marcando a transição do teocentrismo mediaeval para o antropocentrismo humanista
- A arte renascentista busca o equilíbrio, a simetria e a representação realista, utilizando técnicas como a perspectiva e cálculos matemáticos
- O Classicismo português inicia-se em 1527 com Francisco Sá de Miranda, que trouxe da Itália a "nova e doce forma poética"
- Luís Vaz de Camões é o maior expoente do período, autor de Os Lusíadas, a principal epopeia em língua portuguesa
- A poesia camoniana explora temas como o amor idealizado versus o material, apresentando uma visão intelectualizada dos sentimentos humanos