Relações culturais (ENEM Sociologia): Notas de revisão
Relações culturais
O que é cultura?
A cultura representa tudo aquilo que diferencia os seres humanos dos outros animais. Ela surge quando o homem abandona seu estado natural e desenvolve comportamentos, regras e símbolos que caracterizam sua vida em sociedade. Essa transformação cultural é formada por padrões consolidados e organizados pelos grupos humanos ao longo do tempo.
Podemos entender cultura como o conjunto de tudo que é produzido pelo ser humano. Isso inclui nossos costumes, nossa linguagem, nossos valores morais, nosso comportamento, nossa religiosidade e todos os elementos materiais e imateriais que criam uma rede de significados. Esses elementos permitem que os indivíduos de uma sociedade se comuniquem e interajam entre si de forma organizada.
O antropólogo Clifford Geertz (1926-2006) definiu cultura como um conjunto de símbolos com significado próprio. Para ele, a cultura oferece ao indivíduo uma teia repleta de símbolos e representações que ele mesmo criou. Assim, nossa busca constante é pelo entendimento dos significados desses elementos culturais que nos rodeiam.
Símbolos materiais e imateriais
A cultura é dinâmica e sofre a ação do tempo, estando inserida num contexto histórico-social específico. Por isso, ela é transmitida historicamente, incorporada em símbolos e materializada em comportamentos.
Segundo Geertz, utilizamos símbolos e sinais que identificam e criam uma relação direta entre os indivíduos que compartilham desses elementos.
As diversidades culturais não são explicadas apenas através de aspectos geográficos ou biológicos. O ambiente físico também não explica a diversidade cultural, já que diferentes maneiras de se comportar estão inseridas em um tempo histórico específico e acabam influenciando as diversas formas de organização da sociedade.
Exemplos de símbolos culturais:
- Símbolos materiais: formas de alimentação e vestimentas
- Símbolos imateriais: linguagem, ritos religiosos e valores morais de cada cultura
Teorias sobre as relações culturais
Evolucionismo social
Com forte inspiração no Darwinismo Social, esta teoria defende que as sociedades mudam e evoluem, seguindo transformações que as levam de um nível menos desenvolvido para um estágio superior. De maneira análoga ao desenvolvimento humano, as sociedades também estariam sujeitas à Lei da Seleção Natural.
Dentro deste contexto, prevaleceriam as sociedades mais aptas e capazes, sendo as outras etnias consideradas menos "desenvolvidas" devido à dificuldade de superar obstáculos naturais. Pensadores como Edward Tylor, Lewis Morgan e Herbert Spencer defenderam essa perspectiva.
Estágios do Evolucionismo Cultural segundo Tylor:
Esta linha progressiva no tempo representava a evolução das sociedades humanas segundo a perspectiva evolucionista.
O Evolucionismo e o próprio Darwinismo Social foram utilizados como justificativa para muitas dominações ao longo da História. Como exemplo clássico desse processo, temos o Imperialismo no século XIX, quando países como Inglaterra, França, Portugal e outros conquistaram novos mercados, deslocaram capital excessivo e procuraram mão de obra barata.
Particularismo histórico
O antropólogo alemão Franz Boas (1858-1942) defendeu que cada povo possui características únicas inseridas em um tempo histórico específico. A composição cultural desses povos deveria ser compreendida de acordo com seus processos históricos particulares, sem julgamentos de valour sobre seu desenvolvimento.
Esta perspectiva foi fundamental para combater as ideias evolucionistas, propondo que cada cultura deve ser entendida dentro de seu próprio contexto histórico e social.
Funcionalismo
Bronislaw Malinowski (1884-1942), no século XX, desenvolveu uma perspectiva funcionalista da Antropologia. Ele investigou as mudanças e as diferenças, entendendo que algumas características não têm razões específicas para permanecerem. Seus estudos perceberam uma visão eurocêntrica em suas análises.
Estruturalismo
Claude Lévi-Strauss (1908-2009), através de estudos etnológicos no Brasil, desenvolveu a perspectiva de que o homem sai do seu estado natural e se incorpora ao seu estado cultural quando aprende a cozinhar, aprende uma linguagem e forma um conjunto de símbolos.
Nessa medida, a identidade cultural é uma só, mesmo a brasileira que é composta por tantas diferenças em si mesma. Essa riqueza em diversidade e pluralidade é reconhecida como uma das mais importantes características do século XX.
Lévi-Strauss afirma que há elementos universais, ou seja, categorias culturais presentes em toda sociedade humana. Esses elementos são as estruturas sociais, fundamentais para ressaltar que, apesar do universo diverso, as estruturas apresentam diferenças e particularidades dentro de cada cultura.
Cultura e diversidade
Etnocentrismo
Quando observamos a cultura e sua diversidade, assim como a pluralidade dos processos de formação de identidades, percebemos que há equivalência nos procedimentos. Não diferenciamos uma cultura de outra. A ideia de cultura coloca em pé de igualdade todas as suas diferentes manifestações, fazendo com que cada cultura seja equivalente a qualquer outra cultura.
A dificuldade de aceitar a diversidade de culturas e identidades ocorre quando estas são consideradas inferiores ou superiores umas às outras. É o que se chama de etnocentrismo.
O termo etnocentrismo foi cunhado em 1906 pelo sociólogo William G. Sumner, que o definiu como "visão de mundo na qual o centro de tudo é o próprio grupo a que o indivíduo pertence; todas as coisas e todos os outros grupos são medidos e avaliados em relação a ele".
A definição de Sumner aponta que cada grupo pensa que seus próprios costumes são os únicos válidos e observa que outros grupos têm outros costumes, comparando-os com desdém.
Exemplos de etnocentrismo no cotidiano:
- Intolerância religiosa: dificuldade de aceitação da pluralidade de crenças
- Xenofobia: preconceito entre nativos de um país e imigrantes
- Preconceito étnico: estigmatização de uma cultura ou etnia
- Colonialismo: expansão europeia que chamou povos ameríndios de "selvagens" ou "bárbaros"
- Racismo: hierarquização de "raças" discriminando povos considerados inferiores
Relativismo cultural
Contrariamente, a visão das ciências sociais baseada nos estudos, pesquisas, experiências e métodos científicos procurou um alargamento da compreensão da vida dos sujeitos do mundo. O relativismo cultural designa a igualdade e a equivalência entre as culturas e identidades sociais.
A constatação de que todos pertencemos a uma cultura leva à conclusão de que todas as culturas são equivalentes. Esta busca por compreender particularidades e diversidades é o que chamamos de relatividade cultural.
Pontos-chave para lembrar:
- Cultura é dinâmica: As culturas estão em constante contato e transformação, não são estáticas
- Símbolos culturais: Dividem-se em materiais (vestimentas, alimentação) e imateriais (linguagem, valores, ritos)
- Teorias antropológicas: Cada uma oferece uma perspectiva diferente para compreender as relações culturais
- Etnocentrismo vs Relativismo: O primeiro hierarquiza culturas, o segundo as considera equivalentes
- Diversidade cultural: Deve ser respeitada e compreendida sem julgamentos de valour baseados em nossa própria cultura