Relações de trabalho (ENEM Sociologia): Notas de revisão
Relações de trabalho
Capitalismo e as transformações no trabalho
O trabalho representa uma parte fundamental da nossa realidade e gera uma intensa experiência social, criando grande importância na vida de cada pessoa. Por essa razão, deixou de ser apenas uma atividade puramente ligada à renda, tornando-se parte da personalidade dos indivíduos.
Os diferentes períodos do capitalismo provocaram mudanças nas perspectivas relacionadas ao trabalho, que foi modificado, alterado e reformulado diversas vezes, criando novas possibilidades de vivência para os seres humanos. Portanto, é essencial compreender de que formas as transformações relativas ao capitalismo foram decisivas para o modo como foi e como ainda é entendida a ideia de trabalho nas diferentes sociedades.
O capitalismo passou por quatro fases distintas ao longo da história, cada uma com características específicas que transformaram profundamente as relações de trabalho e a organização social.
Fases do capitalismo comercial ou pré-capitalismo
Esta fase teve início com as grandes navegações e a expansão marítima europeia, quando a burguesia mercantil pretendia buscar mercados em outros lugares fora do continente. Durante esse período, as características marcantes do capitalismo foram: moeda que substituía o sistema de trocas, fortalecimento do poder da burguesia, introdução da mão de obra assalariada, busca de lucros e mudança do pensamento e lógica nacional e materialista.
Entre os séculos XV e XVII, essa fase estabeleceu as bases para o que posteriormente se tornaria o sistema capitalista mais desenvolvido.
Características principais do capitalismo comercial:
- Substituição do sistema de trocas pela moeda
- Fortalecimento da burguesia mercantil
- Introdução da mão de obra assalariada
- Expansão dos mercados através das navegações
Fase do capitalismo industrial
O capitalismo industrial começou em meados do século XVII e teve a máquina como meio de produção fazendo o trabalho que antes era realizado pelos artesãos. Esta fase começou na Inglaterra, aumentou as desigualdades, acentuou as diferenças de classes que caminhavam para a concentração de renda além do desemprego e, em contrapartida, queda no preço dos produtos.
Durante esse período, houve uma transformação radical nas relações de trabalho, onde a produção artesanal foi gradualmente substituída pela produção mecanizada, alterando profundamente a organização social e econômica da sociedade.
A Revolução Industrial marcou uma ruptura definitiva com o sistema de produção anterior, estabelecendo o modelo de trabalho assalariado e a divisão entre capital e trabalho que caracteriza o capitalismo moderno.
Fase do capitalismo monopolista-financeiro
Esta fase se iniciou no final do século XIX, depois da 2ª Revolução Industrial, quando países altamente industrializados acumularam muito capital e pretendiam - como assim o fizeram - explorar áreas que então não industrializadas nem capitalistas como a África e alguns países da Ásia.
Essas regiões foram usadas como espaços de deslocamento desse capital excedente, busca por mão de obra barata, busca por matérias-primas etc. Essa empreitada ficou conhecida como imperialismo, dando lugar a uma modalidade capitalista em que o capital bancário se eleva ao capital industrial, presente nas grandes corporações financeiras e no mercado globalizado no qual ainda estamos de certa forma inseridos.
O imperialismo representou a expansão do capitalismo em escala mundial, integrando regiões não industrializadas ao sistema capitalista como fornecedoras de matérias-primas e mão de obra barata.
Fase do capitalismo especulativo
Esta fase tem como principal símbolo o mercado de ações, o sistema de especulação na Bolsa de Valores, das Bolsas Eletrônicas e dos sistemas de negociação virtual e de "papéis" que ocorrem em tempo real, conectados por sistemas de informação e fundos que produzem os chamados oligopólios financeiros que fazem o capital ter caráter global.
O ponto-chave é que a globalização permitiu que grandes corporações produzissem suas mercadorias em diversas partes do mundo buscando a redução de custos. Essas empresas, dentro de uma economia de mercado, vendem seus produtos a diversos países mantendo um comércio ativo de grandes proporções. A própria informatização acelerou a circulação de serviços e mercadorias.
A informatização elevou a produção a níveis nunca vistos, ao mesmo tempo em que instaurou um processo de substituição da mão de obra pela máquina, fazendo com que o sistema capitalista mundial esteja produzindo cada vez mais sem empregar e, consequentemente, sem ter a quem vender. Pelo fato de o capitalismo contemporâneo se basear justamente na generalização da forma-mercadoria, esse paradoxo elevou a concorrência e a competitividade à condição de elementos-chave do sistema. Por isso, a formação de blocos econômicos foi uma primeira saída para enfrentar as escassez de mercado, protegendo e dinamizando os mercados intrabloco e aumentando o poder de inserção concorrencial interbloco.
O Paradoxo do Capitalismo Especulativo:
A informatização criou uma contradição fundamental: o sistema produz mais do que nunca, mas emprega cada vez menos pessoas, gerando uma crise de demanda, pois há menos consumidores com poder de compra.
Pontos-chave para lembrar:
- O trabalho se tornou parte fundamental da personalidade dos indivíduos, não apenas uma fonte de renda
- O capitalismo passou por quatro fases principais: comercial, industrial, monopolista-financeiro e especulativo
- Cada fase trouxe transformações significativas nas relações de trabalho e na organização social
- A informatização e globalização criaram um paradoxo: maior produção com menos empregos
- O capitalismo especulativo atual é caracterizado pelo mercado de ações e negociação virtual em tempo real