Movimentos artísticos mais importantes do séc XX (ENEM Artes): Notas de revisão
Movimentos artísticos mais importantes do século XX
Introdução
O século XX foi marcado por transformações profundas no mundo das artes visuais. Durante este período, surgiram nove movimentos artísticos que revolucionaram a forma como a arte era criada e compreendida. Estes movimentos representaram uma ruptura com as tradições artísticas anteriores e estabeleceram as bases para a arte moderna e contemporânea.
Os movimentos artísticos são correntes da arte nas quais um conjunto de artistas compartilha ideias semelhantes, tanto esteticamente quanto ideologicamente. Eles se unem com objetivos comuns e geralmente possuem uma duração específica, que pode variar de meses a décadas.
Os movimentos artísticos do século XX foram profundamente influenciados pelos contextos históricos da época, incluindo as duas guerras mundiais, a revolução industrial e as transformações sociais. Esta conexão entre arte e história é fundamental para compreender as motivações e características de cada movimento.
Os nove movimentos fundamentais
1. Expressionismo
O expressionismo desenvolveu-se na Alemanha entre 1905 e 1906, quando artistas como Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff formaram o grupo Die Brücke (A Ponte). Este movimento tinha como objetivo principal expressar sentimentos intensos e conflitantes, como dor, angústia, violência e depressão.
Os artistas expressionistas utilizavam cores vibrantes e formas humanas distorcidas, aproximando-se da caricatura, mas sem perder o caráter humanístico. O movimento surgiu como uma reação ao impressionismo, que buscava trabalhar com a luminosidade em cenas bucólicas, enquanto os expressionistas não demonstravam grande preocupação emocional.
Os precursores do expressionismo foram Vincent van Gogh e Edvard Munch, que já no final do século XIX exploravam o tema do sofrimento humano em suas obras, usando cores intensas e forte carga dramática.

2. Fauvismo
O fauvismo caracterizou-se principalmente pelo uso de cores puras, frequentemente aplicadas diretamente do tubo de tinta, além de combinações espontâneas de cores, sem compromisso com a realidade. Os artistas fauves também representavam objetos e pessoas de maneira simplificada, reduzindo formas e apenas sugerindo figuras.
O nome deste movimento originou-se de uma exposição realizada no Salão de Outono, em Paris, no início do século, em 1905. Os críticos de arte que visitaram a exposição depararam-se com telas repletas de cores intensas e que transmitiam certa ousadia. Como não compreenderam as propostas dos artistas, fizeram críticas severas, chamando os jovens pintores de "les fauves", que em português significa "os selvagens" ou "os bárbaros".

O principal representante deste movimento foi Henri Matisse, mas também se destacaram André Derain, Maurice Vlaminck e Othon Friesz. É importante ressaltar que estes artistas contribuíram significativamente para o uso das cores puras e formas simples no design.
3. Cubismo
O cubismo foi um movimento no qual o principal interesse estava em representar a realidade de maneira fragmentada, ou seja, separando partes de uma imagem e recompondo-as novamente. A intenção era apresentar uma cena exibindo todos os ângulos dela, como se a forma estivesse "aberta" na superfície da tela.
Naturalmente, as imagens resultantes não tinham fidelidade com o mundo real, e acabavam por apresentar muitas formas geométricas como cubos e cilindros, daí o nome "cubismo". Os criadores desta corrente foram Pablo Picasso e Georges Braque, sendo Picasso o primeiro a criar uma composição cubista, o quadro "Les Demoiselles d'Avignon", em 1907.

Exemplo das correntes cubistas:
Cubismo Analítico: Trabalhava com cores neutras e sombrias, a fim de destacar as formas desconstruídas.
Cubismo Sintético: Retorno à representação de figuras mais facilmente reconhecíveis, mantendo a fragmentação característica.
4. Abstracionismo ou arte abstrata
Na arte abstrata, os artistas libertam-se do compromisso com o figurativismo, ou seja, passam a criar imagens onde não há representação de qualquer figura reconhecível. O primeiro pintor considerado abstrato foi Wassily Kandinsky, um russo que era entusiasta da música e decidiu utilizá-la como inspiração para suas telas.
A finalidade dele era transmitir a "atmosfera musical", levando o observador a entrar em contato com formas, cores e linhas.

Outros artistas de destaque do movimento são Vladimir Tatlin, responsável pela vertente do construtivismo; Piet Mondrian com seu neoplasticismo; e Kazimir Malevich, com o suprematismo. Cada um desenvolveu abordagens distintas dentro da arte abstrata.
5. Futurismo
O futurismo iniciou-se por meio de um manifesto literário. Em 1909, o escritor italiano Filippo Tommaso Marinetti elaborou o Manifesto Futurista, no qual expôs as bases ideológicas do movimento, pautadas principalmente na revolução tecnológica, na velocidade e no dinamismo.
Foi uma vertente artística alinhada a ideias fascistas, que estavam em alta naquele período na Itália. Tanto que alguns dos intelectuais futuristas ingressaram no partido fascista em determinado momento, o que contribuiu para o declínio do movimento.

Em 1910, artistas das artes plásticas lançaram um manifesto direcionado às artes, que foi assinado por Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo, Giacomo Balla e Gino Severini. As obras produzidas exibiam cenas que exaltavam as máquinas, velocidade e movimento.
6. Dadaísmo
O dadaísmo foi um movimento que buscou subverter a lógica da arte como uma maneira de evidenciar os tempos insanos que viviam. O contexto era o da Primeira Guerra Mundial e alguns intelectuais se refugiaram na Suíça.
Lá eles fundaram o movimento Dadá, nome escolhido pelo húngaro Tristan Tzara ao abrir aleatoriamente um dicionário francês e escolher a palavra "dadá", que significa "cavalinho". Os dadaístas procuravam transmitir todo o caráter irracional e absurdo do momento, para isso usavam como recurso o "automatismo psíquico", uma maneira de criar baseada na espontaneidade e acaso.
Outras características marcantes dadaístas são a ironia, a desordem e a crítica ao sistema vigente. Este movimento foi fundamental para questionar os conceitos tradicionais sobre o que constitui arte.

Citamos como artistas do movimento Hugo Ball, Hans Arp e Marcel Duchamp, este último o de maior reconhecimento.
7. Surrealismo
Em 1924, como decorrência do dadaísmo, surge o movimento surrealista na França. A ideia do grupo era transportar para as telas imagens do inconsciente, elaborando cenas que ultrapassavam a realidade.
Os conceitos psicanalíticos de Sigmund Freud despontavam na época e foram de grande inspiração para os surrealistas. Eles queriam libertar-se do racionalismo e permitir o escoamento da imaginação, do lógico e dos simbolismos presentes no universo dos sonhos.

Os surrealistas utilizavam técnicas como o "automatismo psíquico" para acessar o inconsciente, criando obras que desafiavam a lógica e a razão convencionais.
Nomes importantes da vertente são Salvador Dalí, o que teve maior reconhecimento, Marc Chagall e Joan Miró.
8. Op art
A op art é um movimento que ocorreu na década de 60. Seu nome vem do inglês "optical art", significando "arte óptica". As obras dessa vertente tinham como objetivo criar composições abstratas e geométricas que, dependendo do ângulo em que são vistas, criam ilusões de tremores e outras formas oscilantes.
A exposição mais importante desse movimento ocorreu em Nova York em 1965 e foi intitulada "The Responsive Eye", traduzido como "O olho responsivo", que sugere que é o próprio olho do espectador que responde à obra, interpretando-a e enxergando diferentes composições.

Os principais artistas da op art foram Victor Vasarely e Alexander Calder. Este movimento explorou as possibilidades da percepção visual, criando obras que literalmente "se movem" aos olhos do observador.
9. Pop art
Pop art é o nome dado a um movimento que ocorreu nos anos 60 nos EUA, inicialmente. Mais tarde, estendeu-se a outros lugares. A ideia da pop art era criar um tipo de arte que estivesse mais conectada com a vida cotidiana e prática das pessoas. Para isso, foi usada como inspiração e base criativa a cultura de massas, presente nas histórias em quadrinhos, publicidade, cinema e TV.
Havia uma intenção crítica na pop art, exibindo como a vida de todos estava imersa em uma cultura industrial, que uniformizava as coisas e até mesmo pessoas, como celebridades. Entretanto, o movimento acabou se alimentando da própria cultura que buscava criticar.

Principais características da Pop Art:
- Produção em série de imagens
- Uso da serigrafia como técnica
- Referência em estrelas do cinema
- Cores intensas e contrastantes
- Elementos da cultura de massas
Vale ressaltar que esse movimento contribuiu para impulsionar uma nova fase no meio artístico, a arte contemporânea.
Andy Warhol foi o maior expoente da pop art, houve também Roy Lichtenstein e Richard Hamilton, que tiveram destaque.
Contexto histórico dos movimentos
Esse tipo de mobilização artística foi a marca cultural da primeira metade do século XX, quando o mundo passava por profundas transformações sociais e econômicas, além de intensos conflitos como a primeira e segunda guerra mundial.
Assim, os artistas, principalmente na Europa, se organizaram coletivamente a fim de refletir sobre os acontecimentos, materializando suas ideias através da arte, no que ficou conhecido como vanguardas europeias.
As primeiras vertentes da arte consideradas movimentos foram o impressionismo e pós-impressionismo, ocorridas ainda no século XIX. Foram elas que deram as bases para que, no século seguinte, despontassem os movimentos da arte moderna.
Principais conceitos para lembrar
Pontos-chave para relembrar:
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Transformação radical: O século XX revolucionou a arte com movimentos que romperam com as tradições anteriores, estabelecendo as bases para a arte moderna e contemporânea.
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Contexto histórico: Os movimentos artísticos foram profundamente influenciados pelos conflitos mundiais e transformações sociais da época, servindo como forma de reflexão e crítica.
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Evolução progressiva: Cada movimento surgiu como reação ou evolução do anterior, desde o expressionismo emocional até a pop art comercial, mostrando uma progressão lógica na história da arte.
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Diversidade de abordagens: Os nove movimentos exploraram diferentes aspectos da experiência humana - desde a expressão de sentimentos até a crítica social, passando pela abstração total e inovações tecnológicas.
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Impacto duradouro: Estes movimentos não apenas definiram a arte do século XX, mas continuam influenciando a produção artística contemporânea, estabelecendo linguagens visuais que permanecem relevantes até hoje.