Fisiologia vegetal (ENEM Biologia): Notas de revisão
Fisiologia Vegetal
Introdução
As plantas são organismos complexos que, embora não possuam sistema nervoso, desenvolveram mecanismos sofisticados de controle e regulação. Diferentemente dos animais, os vegetais dependem principalmente de hormônios para coordenar suas funções vitais. Este material aborda os principais mecanismos de controle que envolvem a homeostase desses organismos fascinantes.
Diferença Fundamental: Enquanto os animais possuem sistema nervoso para coordenação, as plantas desenvolveram um sistema baseado inteiramente em hormônios e respostas químicas para controlar suas funções vitais.
Movimento nos Vegetais
Mesmo sendo organismos sésseis (fixos ao substrato), as plantas apresentam capacidade de movimentação relacionada ao seu crescimento, nutrição e reprodução. Esses movimentos podem ser direcionados ou não direcionados.
Tropismo
Os tropismos são movimentos orientados da planta em resposta a estímulos externos. Podem ser classificados como:
- Tropismo positivo: movimento em direção ao estímulo
- Tropismo negativo: movimento em direção oposta ao estímulo
Principais Tipos de Tropismo
| Tipo | Estímulo | Exemplo |
|---|---|---|
| Anemotropismo | Corrente de ar | Crescimento de flores em resposta a correntes de ar para otimizar a polinização |
| Fototropismo | Luz | Plantas que crescem embaixo de coberturas tendem a se alongar verticalmente; plantas de florestas densas crescem verticalmente |
| Geotropismo | Gravidade | Raízes crescem em direção ao centro da Terra (positivo); caules crescem em direção contrária (negativo) |
| Hidrotropismo | Água | Maior desenvolvimento de raízes em direção aos reservatórios de água |
| Higrotropismo | Umidade | Crescimento de partes aéreas em direção a ambientes mais úmidos |
| Quimiotropismo | Substâncias químicas | Atração do tubo polínico pelo óvulo |
| Tigmotropismo | Contato físico | Plantas trepadeiras crescem nas regiões de contato com o solo |
Nastismo
Os nastismos são respostas rápidas e independentes da direção do estímulo. Diferentemente dos tropismos, a resposta é sempre similar, não importando de onde venha o estímulo.
Tipos de Nastismo
| Tipo | Estímulo | Exemplo |
|---|---|---|
| Fotonastismo | Luz determinada pelo crescimento | Desabrochar das flores |
| Nictinastismo | Luz determinada pela variação de turgor celular | Posição relativa das folhas de algumas leguminosas durante o dia e a noite |
| Seismonastismo | Contato físico | Plantas sensíveis (ex: Mimosa pudica) retraem os folíolos quando tocadas |
| Termonastismo | Variação de temperatura | Desabrochar de flores de tulipas influenciado pelo calor |
Os nastismos envolvem modificações na pressão de turgor celular, permitindo que a planta obtenha proteção para suas folhas, como observado no seismonastismo.
Tactismo
São movimentos de deslocamento exibidos por células especializadas (gametas), organelas celulares (cloroplastos), moléculas e microrganismos. Estes movimentos são causados e orientados por estímulos externos, como luz e compostos químicos.
Tipos de tactismo:
- Tactismo positivo: deslocamento em direção à fonte estimuladora
- Tactismo negativo: deslocamento afastando-se da estrutura do estímulo
Exemplos:
- Deslocamento dos cloroplastos das células das folhas em direção à face mais iluminada (fototactismo positivo)
- Movimento das moléculas de auxinas no interior da planta, no sentido da face menos iluminada do caule (fototactismo negativo)
- Deslocamento dos anterozoides (gametas masculinos) em meio líquido, aproximando-se da oosfera (gameta feminino), liberando substâncias químicas atrativas (quimiotactismo)
Controle por Hormônios Vegetais (Fitormônios)
Os vegetais, assim como os animais, têm grande parte de seu metabolismo controlado por hormônios. Nas plantas, existem vários tipos de hormônios, também conhecidos como fitormônios. São mensageiros químicos que controlam diversas atividades nos vegetais, estimulando ou inibindo diferentes órgãos e funções.
Principais tipos de fitormônios: auxinas, citocininas, giberelinas, ácido abscísico e etileno.
Auxinas
Esta família de fitormônios é produzida principalmente pelas extremidades das raízes e caules. Após serem transportadas, atuam sobre o crescimento através do aumento de volume celular e, consequentemente, influenciam a curvatura de plantas em resposta a determinados estímulos, como luminosidade e ação gravitacional.
Características das Auxinas:
- Existe uma concentração mínima necessária para promover o crescimento vegetal
- Concentrações abaixo do mínimo são insuficientes para estimular o crescimento
- Concentrações acima de determinado ponto inibem totalmente o crescimento
- Entre os pontos mínimo e máximo, existe um ponto ótimo onde o crescimento é mais rápido
- As raízes são muito mais sensíveis à ação das auxinas que os caules
Fototropismo e Auxinas
Exemplo Prático: Como Funciona o Fototropismo
Situação 1 - Luz Superior: Quando um caule vegetal é iluminado a partir de uma fonte localizada exatamente acima de seu ápice, o crescimento ocorre verticalmente.
Situação 2 - Luz Lateral: Quando a fonte luminosa é colocada em posição lateral, o caule cresce de maneira curvada, como se "procurasse a luz".
Mecanismo:
- O lado do caule que está sendo iluminado (face direita) acumula menores concentrações de auxina
- O lado sombreado (face esquerda) mantém maiores concentrações de auxina
- As células da face sombreada se alongam mais que aquelas da face iluminada
- Resultado: curvatura do caule em direção à luz
Auxinas e Dominância Apical
Em geral, a auxina elaborada pelas gemas apicais inibe o desenvolvimento de gemas laterais do caule através de um comportamento conhecido como dominância apical. A retirada da gema apical caulinar permite que as laterais saiam do estado de dormência e deem origem a ramos, flores e frutos.
Auxinas e Abscisão Foliar
Dependendo da relação existente entre as concentrações de auxina nas folhas e no caule, o hormônio pode causar a abscisão foliar (queda das folhas). Se as folhas (e em alguns casos, flores e frutos) tiverem um teor menor que o do caule, caem. Assim, folhas velhas e frutos maduros que produzem pouca auxina caem da planta num instante determinado pela fisiologia de cada espécie.
Auxinas e Partenocarpia
O desenvolvimento do ovário de flores sem que ocorra polinização não é algo comum, ainda que seja observado na formação de alguns frutos que foram selecionados artificialmente para comercialização. Este efeito pode ser obtido artificialmente através da exposição de flores à auxina em campos de cultivo. Esta técnica imita o efeito natural promovido pela fecundação e garante o crescimento do fruto que, neste caso, não apresentará sementes. Esta metodologia, conhecida como partenocarpia, é tipicamente empregada para a obtenção de uvas, melões e tomates sem sementes.
Citocininas
Outro grupo de substâncias reguladoras do crescimento e desenvolvimento vegetal, as citocininas foram descobertas mais recentemente. Em 1941, J. Van Overbeeck descobriu que a água de coco verde estimulava o crescimento de embriões e promovia a divisão de células isoladas. Em 1955, Carlos Miller conseguiu isolar a substância ativa e chamou-a de cinetina. Vários compostos sintéticos foram sendo produzidos e o grupo formado por eles, chamado de citocininas.
Estes hormônios são predominantemente encontrados em sementes em germinação e frutos jovens onde estimulam a divisão celular por mitose. Além disso, atuam nas folhas evitando seu envelhecimento (senescência) e estimulam o crescimento das gemas laterais.
Giberelinas
Este grupo de substâncias foi descoberto no Japão pelo botânico Kurosawa, em 1926, ao estudar o fungo Gibberella fujikuroi que parasitava plantas dos pés de arroz e provocava crescimento exagerado dos caules.
Sua produção ocorre principalmente em folhas jovens, sementes em germinação, embriões de sementes e frutos. Após sua síntese, as giberelinas promovem a quebra de dormência em sementes, facilitando a germinação, e o desenvolvimento de frutos.
Processo de Germinação com Giberelinas:
Passo 1: As sementes iniciam a germinação (iniciada pela hidratação das sementes)
Passo 2: O embrião libera giberelina
Passo 3: A giberelina estimula a síntese de enzimas hidrolíticas
Passo 4: Uma dessas enzimas é a amilase, que degrada o amido
Resultado: Fornecimento de moléculas de glicose que serão empregadas na produção de energia para o embrião em desenvolvimento
Ácido Abscísico
Originalmente a elevação nas concentrações deste hormônio foi associada à abscisão foliar, o que levou à nomenclatura de ácido abscísico. Hoje sabemos que se trata de uma importante substância inibidora do metabolismo vegetal durante períodos de estresse, como privações hídricas e grandes variações de temperatura.
Em situações como estas é importante reduzir os gastos energéticos e, por isso, o ácido abscísico:
- Induz a dormência de gemas do caule
- Inibe a germinação de sementes
- Promove o fechamento dos estômatos
Etileno
Este hormônio é o único a ser sintetizado sob a forma gasosa a partir, principalmente, de frutos em amadurecimento. Ao se dispersar pela atmosfera onde os vegetais se encontram, o etileno induz o amadurecimento de frutos, além de provocar a abscisão destes e também de folhas.
Resumo dos Principais Fitormônios:
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Tropismos são movimentos direcionados em resposta a estímulos, podendo ser positivos (em direção ao estímulo) ou negativos (contrário ao estímulo)
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As auxinas controlam o crescimento celular através do alongamento, sendo responsáveis pelo fototropismo e pela dominância apical
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As citocininas promovem a divisão celular e previnem o envelhecimento das folhas, sendo encontradas principalmente em sementes e frutos jovens
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As giberelinas quebram a dormência das sementes e estimulam a germinação, além de promover o desenvolvimento dos frutos
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O etileno é o único hormônio gasoso das plantas e é responsável pelo amadurecimento dos frutos e pela abscisão de folhas e frutos