Industrialização brasileira: governo militar (ENEM Geografia): Notas de revisão
Industrialização brasileira: governo militar
Contexto histórico e início do período militar
O processo de industrialização durante o governo militar brasileiro teve início após uma grave crise política. Jânio Quadros, que havia assumido a presidência, enfrentou sérios problemas de governabilidade devido às dificuldades econômicas do período. Em meio a um cenário de Guerra Fria e forte polarização ideológica mundial, Jango apresentou uma política nacionalista de reformas de base que incluía mudanças na estrutura agrária, tributária, bancária e eleitoral.
As reformas de base propostas por João Goulart incluíam a reforma agrária, que redistribuiria terras improdutivas; a reforma tributária, que aumentaria impostos sobre grandes fortunas; a reforma bancária, que nacionalizaria bancos privados; e a reforma eleitoral, que estenderia o voto aos analfabetos e militares de baixa patente.
Essas propostas foram consideradas comunistas pelos setores conservadores da sociedade, servindo como justificativa para uma mudança na estrutura de governo que deu início a um regime militar entre 1964 e 1985. Durante este período, os militares assumiram o poder e iniciaram um novo e importante período da fase de substituição de importações.
O "milagre econômico brasileiro" (1968-1973)
O período que se estendeu de 1968 a 1973 ficou conhecido como "milagre econômico brasileiro", no qual a economia cresceu em ritmo acelerado. Durante esses anos, o crescimento estava sustentado por fortes investimentos estatais, sendo os militares responsáveis pela aplicação de altas quantias na construção de infraestrutura e na expansão de serviços e empresas estatais.
Contudo, todos esses recursos só puderam ser obtidos através de vultosos empréstimos realizados no exterior, o que aumentou rapidamente o endividamento público. Este modelo de crescimento baseado no endividamento externo se mostraria insustentável a longo prazo.
A forte expansão industrial ocorrida no período do milagre econômico concentrou-se principalmente por conta da baixa na economia mundial devido às crises internacionais do petróleo.
Características do crescimento econômico
Durante este período de expansão, a economia apresentava um crescimento vigoroso, mas as políticas adotadas pelo governo federal promoviam uma concentração de renda. A prática do arrocho salarial mantinha os salários em níveis muito baixos, gerando uma redução do poder de compra, especialmente das populações mais pobres.
Ao mesmo tempo, a concentração industrial nas metrópoles continuava muito elevada, o que intensificou o êxodo rural e aumentou a concentração populacional em áreas urbanas. Isso ampliou a desigualdade socioeconômica, fazendo com que a expansão da economia promovesse um cenário favorável ao consumo por parte da classe média, com a proliferação de shoppings e mercados de luxo, criando a população marginalizada e miserável.
As grandes obras de infraestrutura
Durante o período JK, os militares permitiram e incentivaram a entrada de capitais estrangeiros, que se alocaram principalmente na extração de minerais metálicos, no agronegócio, na indústria química, farmacêutica e na fabricação de máquinas e outros bens de capital. A industrialização promovida pelos militares contou também com a realização de uma série de projetos na região Norte, vista pelos militares como uma fronteira de recursos a ser explorada.
As "obras faraônicas"
O termo "obra faraônica" é utilizado como referência a obras de grande porte realizadas com o objetivo de demonstrar poder e impressionar a sociedade. A referência desse nome é o povo egípcio que ficou historicamente famoso por construções suntuosas como as pirâmides e a esfinge.
Durante o governo dos militares no Brasil, grandes obras foram realizadas como:
- Ponte Rio-Niterói: importante conexão rodoviária ligando o Rio de Janeiro a Niterói
- Usina hidrelétrica de Itaipu: uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo
- Rodovia Transamazônica: estrada cortando a região amazônica
Dentre os problemas relacionados a esse tipo de empreendimento estão os altos gastos públicos e a dificuldade em controlar o desvio de verbas, uma vez que envolve grande número de pessoas e materiais, com tempo de execução maior.
As crises do petróleo e seus impactos
A forte expansão industrial ocorrida no período do milagre econômico não se repetiu nos anos posteriores, principalmente por conta da baixa na economia mundial. As crises internacionais do petróleo, ocorridas em 1973 e 1979, puseram fim ao cenário que havia permitido ao Brasil se industrializar mediante a obtenção de empréstimos no exterior.
Guerra do Yom Kippur (1973)
O conflito teve início após um ataque a Israel liderado pela Síria e pelo Egito em resposta à anexação de territórios sírios e egípcios pela península do Sinai, parte do Canal de Suez, Faixa de Gaza, Cisjordânia e as Colinas de Golã após a Guerra dos Seis Dias (1967).
O nome está relacionado ao feriado judeu do "Dia do Perdão" (em hebraico chamado de Yom Kippur). Como forma de protestar contra o apoio que os Estados Unidos dava a Israel, os países membros da OPEP aumentaram o valour do preço do barril de petróleo.
Revolução iraniana (1979)
Na década de 1970, o país era governado pelo Xá Pahlavi, que representava uma monarquia autoritária com grande proximidade junto ao Ocidente, levantando assim diversas críticas da oposição.
Os opositores eram liderados por aiatolá Ruhollah Khomeini, um religioso que defendia reformas sociais e econômicas, além de uma recuperação dos valores tradicionais do islamismo. Em 1979, após o retorno do aiatolá Khomeini de um longo período de exílio em Paris, os protestos contra o governo se intensificaram e tornaram-se mais violentos.
Com uma postura mais radical do governo, após estadunidenses terem sido feitos de reféns na embaixada em Teerã, ocorreu um rompimento de relações entre Irã e Estados Unidos.
O programa Pró-Álcool
Entre 1968 e 1973, o Brasil atravessou um período de grande crescimento econômico que teve seu fim com a ocorrência da primeira grande crise do petróleo (1973). Nesse contexto em que o governo militar passou a ser mais criticado, o governo brasileiro passou a substituir as caras moedas e derivados do petróleo por aqueles que seriam movidos a álcool.
Tendo sido atingido então pela crise do petróleo, o governo brasileiro lançou em 1975 o Programa Nacional do Álcool, ou seja, o Pró-Álcool. Com os investimentos no uso da cana-de-açúcar para a produção do novo combustível, o país conseguiu ter menos abalos pela crise do petróleo de 1979.
O Programa Pró-Álcool foi uma das primeiras iniciativas mundiais de grande escala para o desenvolvimento de combustíveis alternativos, antecipando discussões ambientais que se tornariam centrais décadas depois.
Porém, o projeto não teve o êxito esperado, pois com a posterior queda do preço do barril de petróleo, o investimento nessa fonte deixou de ser uma vantagem.
Consequências econômicas do período
Contudo, ainda que a economia apresentasse um crescimento vigoroso, as políticas adotadas pelo governo federal promoveram uma concentração de renda em virtude da prática do arrocho salarial. A manutenção dos salários em níveis muito baixos gerou uma redução do poder de compra, especialmente das populações mais pobres.
Sem capitais para prosseguir a modernização fabril e com as contas públicas cada vez mais estranguladas pelas crescentes juros da dívida externa, o Brasil viu o progressivo sucateamento tecnológico de suas fábricas e mergulhou numa grave crise de hiperinflação, fazendo com que os anos 1980 ficassem conhecidos como Década Perdida.
Nesse momento, o governo tentou aumentar a arrecadação através do comércio internacional, direcionando a produção industrial para o exterior. Tal política, baseada no slogan "exportar é o que importa", além de não ter sido bem-sucedida, marcou o fim de um longo período iniciado ainda na década de 1930, cuja produção de bens de consumo estava voltada para o mercado interno.
Resumo
Pontos-chave para relembrar:
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O "milagre econômico brasileiro" ocorreu entre 1968 e 1973, caracterizado por forte crescimento sustentado por investimentos estatais e empréstimos externos
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As "obras faraônicas" foram grandes projetos de infraestrutura como a Ponte Rio-Niterói, Usina de Itaipu e Rodovia Transamazônica, realizados para demonstrar poder
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As crises do petróleo de 1973 (Guerra do Yom Kippur) e 1979 (Revolução iraniana) encerraram o período de crescimento acelerado
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O Programa Pró-Álcool foi lançado em 1975 como resposta às crises do petróleo, substituindo combustíveis derivados do petróleo pelo álcool da cana-de-açúcar
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O endividamento externo e a concentração de renda levaram à crise dos anos 1980, conhecida como "Década Perdida"