Regionalização brasileira: Amazônia (ENEM Geografia): Notas de revisão
Regionalização brasileira: Amazônia
Características gerais
A região amazônica representa uma das três principais divisões geoeconômicas do Brasil, sendo a mais extensa entre todas elas. Esta vasta área abrange cerca de 4,9 milhões de quilômetros quadrados, ocupando mais da metade do território nacional brasileiro. A região engloba, de forma total ou parcial, nove unidades federativas: Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Do ponto de vista físico, a Amazônia apresenta características naturais marcantes que evidenciam sua relevância ambiental global. As formações vegetais predominantes incluem a densa Floresta Amazônica, a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas e o clima equatorial típico da região.
Estes elementos naturais demonstram a significativa importância ecológica desta área, uma vez que os rios, as florestas e o clima regional mantêm uma relação constante de interdependência.
Apesar de constituir o maior complexo regional brasileiro, a Amazônia apresenta os menores índices de densidade populacional do país, com comunidades distribuídas em níveis demograficamente baixos. Esta característica resulta principalmente da predominância dos elementos naturais na região. Por outro lado, a baixa ocupação histórica do território brasileiro privilegiou outras regiões nacionais. No entanto, é fundamental destacar que atualmente está em andamento um processo intenso de ocupação do complexo amazônico, que vem aumentando sua população progressivamente.
Biodiversidade Amazônica:
A região abriga também a Bacia Amazônica, considerada a maior bacia hidrográfica mundial, concentrando aproximadamente um quinto do volume total de água doce disponível no planeta. Para sustentar três biomas distintos, esta área elevada em biodiversidade acomoda:
- Cerca de 40 mil espécies vegetais
- Mais de 400 tipos de mamíferos
- Quase 1.300 espécies de aves
- Milhões de insetos
- Outras 3 mil espécies de peixes nos rios amazônicos
Transformações econômicas após 1970
A partir da década de 1970, a região amazônica experimentou diversos câmbios demográficos significativos, sendo economicamente impulsionada no extrativismo vegetal, especialmente na coleta de látex das seringueiras e na extração de castanha-do-pará, além de outros recursos locais especializados. Contudo, essa atividade econômica foi sendo transferida para um segundo plano durante as últimas décadas, mesmo sendo ainda considerada relevante.
Atualmente, observa-se o crescimento das dinâmicas relacionadas com a agropecuária e também com a mineração, além da expansão de algumas atividades industriais, sobretudo com a construção da Zona Franca de Manaus durante 1967.
Zona Franca de Manaus:
Esta região industrial funciona como uma área de livre-comércio próxima à cidade de Manaus, onde se produzem bens industrializados que se instalam não apenas como produtos locais, mas também geram certa polêmica, pois isso proporciona o aumento das importações, com a consequente saída negativa na balança comercial.
A expansão da fronteira agrícola
A fronteira agrícola representa o avanço das atividades produtivas de uso e ocupação do solo para além das regiões tradicionalmente utilizadas pelo homem sobre o meio natural. Dentre os fatores em jogo, encontra-se principalmente a Floresta Amazônica e, na medida em que se expande, ampliam-se os índices de desmatamento e ocupação de áreas de reservas indígenas e de populações tradicionais.
Com isso, o avanço da agricultura e da mineração vai se tornando progressivamente mais proeminente, demandando também o aumento da produção de energia. Essa necessidade vem sendo atendida com a construção de algumas pequenas centrais hidrelétricas e algumas outras em fase de construção e implantação, como a Hidrelétrica Rondon e a polêmica usina de Belo Monte, além de muitas outras.
Principais Atividades Produtivas:
A maior parte da produção agrícola destina-se à produção de pimenta-do-reino e de plantas utilizadas na produção de materiais para a indústria têxtil. A pecuária praticada é do tipo extensiva da soja, ocupa uma grande quantidade de terras. Já a mineração, a atividade que mais cresce na região em razão das novas descobertas geológicas, avança na extração de cobre, níquel, bauxita, petróleo, gás natural e outros minerais, com destaque para as províncias minerais da Serra dos Carajás e Serra Pelada.
Ao contrário do que comumente se pensa, a região amazônica possui uma grande relevância econômica para o país. No entanto, os recentes avanços precisam ser controlados e mais bem avaliados, a fim de promover uma melhor distribuição de renda na região, além de garantir a preservação dos recursos naturais e a sobrevivência das populações tradicionais e indígenas.
A Amazônia Legal
O conceito de Amazônia Legal foi instituído pelo governo brasileiro como forma de planejar e promover o desenvolvimento social e econômico dos estados da região amazônica que historicamente compartilhavam os mesmos desafios econômicos, políticos e sociais. Baseados em análises estruturais e conjunturais, seus limites territoriais têm uma visão sociopolítica e não geográfica, isto é, não são definidos pelo bioma Amazônia.
Características da Amazônia Legal:
A Amazônia Legal constitui uma área que corresponde a 61% do território brasileiro. Além de abranger toda a Amazônia brasileira, ainda contém 20% do bioma Cerrado e parte do Pantanal mato-grossense. Ela engloba a totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Estado do Maranhão.
Apesar de sua grande extensão territorial, a região tem apenas 21.054.532 habitantes, ou seja, 12,4% da população nacional e a menor densidade demográfica do país (cerca de 4 habitantes por km²). Nos nove estados residem 55,9% da população indígena brasileira, cerca de 250 mil pessoas, segundo a FUNASA.
Para integrar uma região sempre pouco povoada e pouco desenvolvida, a Lei 1.806, de 06/01/1953 criou a (hoje extinta) Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e anexou a Amazônia Brasileira, os estados do Maranhão, Goiás e Mato Grosso. Aquele dispositivo legal também definiu que esta área seria chamada de Amazônia Legal, e através dela se concentraram os esforços para combater o subdesenvolvimento econômico daquela parte do país.
Em 1966, a SPVEA foi substituída pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), órgão que além de coordenar e supervisionar programas e planos de outros órgãos federais, muitas vezes mesmo os elaborava e executava. Os limites da Amazônia Legal foram estendidos várias vezes em consequência de mudanças na divisão política do país. A sua forma atual foi definida pela Constituição de 1988, que incluiu Tocantins, Roraima e Amapá.
Impactos Ambientais do Desenvolvimento:
A campanha para integrar a região à economia nacional teve impactos ao meio ambiente que ainda são sentidos e combatidos. Como uma das últimas grandes reservas de madeira tropical do planeta, a região amazônica enfrenta um acelerado processo de degradação graças à exploração predatória e ilegal do produto. Outro problema é a expansão agropecuária, com modelo de produção ainda antiquado que requer enormes extensões de terra.
Há ainda os projetos de desenvolvimento que avançam pelos rios, na forma de grandes hidrelétricas, e pelas províncias minerais, em forma de garimpo legal e ilegal.
Estes processos, desregulados, contribuem para o desmatamento – de acordo com o Inzona, o desmate em setembro de 2014 na Amazônia Legal significou um aumento de 290% em relação a setembro do ano anterior – e também causam imensos conflitos sociais, já que vão de encontro aos interesses de proteção da floresta, direitos indígenas, reforma agrária e fundiária.
Pontos-Chave para Lembrar:
- A Amazônia é a maior região geoeconômica do Brasil, ocupando milhões de km² e englobando nove estados
- A região abriga a maior bacia hidrográfica do mundo e concentra cerca de da água doce do planeta
- A partir de 1970, houve intensas transformações econômicas com o crescimento da agropecuária, mineração e indústria
- A Amazônia Legal corresponde a 61% do território brasileiro e foi criada em 1953 para promover o desenvolvimento regional
- A expansão da fronteira agrícola tem causado desmatamento e conflitos com populações tradicionais e indígenas