Processo colonizador: os ameríndios e o colonizador na América (ENEM História): Notas de revisão
Processo Colonizador: Os Ameríndios e o Colonizador na América
Introdução ao Processo de Colonização
A colonização da América está diretamente relacionada à expansão marítima e comercial atlântica. O desenvolvimento da conquista do Novo Mundo criou dois modelos distintos de colonização: o modelo ibérico e o modelo anglo-saxão.
Ambos os processos resultaram em consequências devastadoras para as populações americanas originárias, incluindo extermínio das populações nativas, tentativa de manter sistemas de exclusividade comercial, pirataria, tráfico de escravos para abastecer as plantações e busca por metais preciosos para enriquecer as metrópoles.
A Chegada ao Novo Mundo
Os dois modelos de colonização ficaram conhecidos pelos termos "exploração" e "povoamento". O fator que mais influenciou essas diferentes abordagens foram principalmente os distintos climas encontrados nas respectivas regiões e a presença ou ausência de metais preciosos.
Diferenças Geográficas e Econômicas
Contrastes Climáticos e Econômicos entre as Colônias
Colônias espanholas e portuguesas:
- Localizadas entre os trópicos de Capricórnio e Câncer
- Clima quente favorecia agricultura de exportação
- Produtos primários não disponíveis na Europa (como cana-de-açúcar)
América inglesa:
- Situada em região de clima temperado frio
- Impossibilitava sistema de plantation ibérico
- Não exigia grandes investimentos para colonização
Colonização Espanhola
O Processo de Conquista (1492-1572)
Entre os anos de 1492 (descoberta da América) e 1572 (morte do último imperador Inca), os espanhóis conseguiram derrotar as principais resistências indígenas, fazendo desaparecer do mapa os impérios pré-colombianos.
Drástica Redução da População Indígena:
- 1633: 40.115 habitantes
- 1662: 16.000 habitantes
- 1683: 10.633 habitantes
Os espanhóis exploraram as rivalidades existentes entre os ameríndios e utilizaram sua superioridade militar: armas de fogo, espada de metal resistente, cavalos, armaduras, etc. O trabalho compulsório, aliado às doenças, causou uma enorme mortalidade entre os povos andinos.
Estrutura Administrativa Colonial
Para consolidar seu domínio, a Espanha estabeleceu uma estrutura colonizadora com as seguintes características:
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Conselho das Índias: Localizado na Espanha, funcionava como Supremo Tribunal de Justiça, além de nomear funcionários e regulamentar a administração das colônias
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Casa de Contratação: Sediada em Sevilha (Espanha), organizava o comércio e fiscalizava o pagamento do quinto
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Vice-Reinos: Visavam facilitar a administração. Eram quatro: Nova Espanha, Nova Granada, Peru e Prata. O Vice-Rei representava o rei espanhol na América, escolhido entre a nobreza com funções militares, jurídicas, fiscais, financeiras, religiosas e administrativas
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Capitanias: Além dos vice-reinos, existiam quatro capitanias: Cuba, Guatemala, Chile e Venezuela. Os capitães gerais tinham importantes funções militares para proteger essas regiões de possíveis invasões
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Audiências: Formadas pelos ouvidores, possuíam função judiciária e, com o tempo, passaram a desempenhar algumas funções administrativas
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Cabildos ou ayuntamientos: Órgão de atuação local, equivalentes às câmaras municipais, formados por elementos da elite colonial e subordinados às leis da Espanha, mas com autonomia para promover a administração local
Organização Social
Hierarquia Social na América Espanhola
A sociedade era organizada hierarquicamente:
- Chapetones: Espanhóis que detinham altos cargos políticos e obtinham privilégios, constituíam uma elite política
- Clero: Junto aos chapetones, obtinha grande influência política, cultural, econômica e social
- Criollos: Descendentes de espanhóis nascidos na América, configuraram-se como elite econômica por serem grandes proprietários e comerciantes
- Indígenas e negros africanos: Explorados como 'semiescravos' e 'escravos', respectivamente
Sistema Econômico
Sistemas de Trabalho Indígena Compulsório:
- MITA: Trabalho forçado e temporário nas minas, com baixos salários
- REPARTIMIENTO: Trabalho obrigatório nos latifúndios exportadores, havendo 'recompensa' à catequização
- ENCOMIENDA: Trabalho obrigatório nos latifúndios exportadores
Para comercializar escravos na América Espanhola era necessário obter o asiento - concessão de direito de venda.
Economia baseada na mineração: A extração de metais preciosos ganhou destaque na região do atual México, Peru e Bolívia, principalmente na cidade de Potosí. Somada a esta prática, a pecuária era uma atividade forte na região do rio da Prata. Os produtos para exportação concentravam-se principalmente na região do Caribe.
A Espanha impôs à sua colônia o Pacto Colonial ou Exclusivo Comercial, impossibilitando que a mesma comercializasse com outras regiões, além de obter intensas vantagens e privilégios nessas transações.
Colonização Inglesa
Características Distintivas
Na América Inglesa, ao contrário do caso espanhol, o processo de colonização não foi incentivado pela metrópole, uma vez que não havia um significativo motivador econômico que justificasse a imposição de um rígido sistema de exclusivismo metropolitano.
Início da Colonização
Os primeiros colonos ingleses chegaram apenas em 1607, quando Christopher Newport entrou em Hampton Roads fundando Jamestown, uma homenagem ao rei Jaime I (1603-25). Este monarca daria impulso ao processo de colonização ao perseguir católicos e protestantes não anglicanos.
Marco Histórico: O Ano de 1619
Em 1619, John Rolfe casou com a famosa Pocahontas como forma de celebrar a paz com os indígenas. O ano de 1619 foi uma data simbólica para o processo de ocupação inglesa na América do Norte: reuniu-se a primeira assembleia de colonos, estabelecendo uma das principais tradições das Treze Colônias Inglesas - o direito de autogoverno.
Sistema Econômico
Na América Inglesa, a mão de obra predominante era livre, familiar ou de servidão por contrato. Neste último caso, estabelecia-se um acordo onde um colono pobre se comprometia a trabalhar para uma Companhia de Comércio, que lhe concedia passagem e estadia para morar na colônia por um período determinado, ao final do qual estaria livre de suas obrigações e poderia obter trabalho livre.
Comércio Triangular:
As propriedades rurais eram pequenas ou médias, sendo a produção destinada aos mercados interno e externo. O livre-comércio com as Antilhas e a África era diversificado, existindo produtos como tabaco, rum, açúcar e escravos negros para as colônias do sul. Este modelo era denominado "comércio triangular".
Diferenças com o Modelo Espanhol
Os colonos se consideravam súditos da Inglaterra tanto quanto aqueles ingleses que permaneceram em Manchester, Liverpool ou Londres. A experiência de autogoverno provinha em grande parte da tradição jurídica consuetudinária inglesa oriunda da Magna Carta de 1215, que estabelecia os princípios fundamentais da organização parlamentar.
Esta experiência de autogoverno seria, na realidade, a peça chave para entender o processo de independência das Treze Colônias Inglesas no século XVIII.
Pontos-Chave para Lembrar:
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A colonização da América resultou em dois modelos distintos: ibérico (exploração) e anglo-saxão (povoamento), influenciados pelo clima e presença de metais preciosos
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A colonização espanhola foi caracterizada pela rígida estrutura administrativa, trabalho compulsório indígena (mita, encomienda, repartimiento) e pelo Pacto Colonial
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A população indígena sofreu drástica redução devido às doenças, trabalho forçado e violência dos colonizadores
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A colonização inglesa desenvolveu-se com maior autonomia, baseada no trabalho livre e no autogoverno, diferentemente do exclusivismo metropolitano espanhol
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A organização social colonial espanhola era hierárquica: chapetones, clero, criollos, indígenas e negros africanos, cada grupo com diferentes privilégios e funções