A revolução francesa P2 (ENEM História): Notas de revisão
A Revolução Francesa - da Convenção ao Diretório
Introdução
A Revolução Francesa representa um dos marcos mais importantes da história moderna. Os franceses celebram ainda hoje o 14 de julho como o Dia da Revolução, rememorando a queda da Bastilha. Este período revolucionário pode ser compreendido como um processo que encerrou definitivamente o modelo de Monarquia Absolutista na França, passando por diferentes fases políticas entre 1789 e 1799.
A Revolução Francesa não foi um evento único, mas sim um processo complexo que se desenvolveu ao longo de uma década, transformando completamente a estrutura política, social e econômica da França.
O Período da Assembleia Nacional (1789-1792)
A Queda da Bastilha e o Simbolismo Revolucionário
A data de 14 de julho possui significado meramente simbólico, assim como a própria Bastilha representava a prisão política do Antigo Regime. A tomada dessa fortaleza pelos populares parisienses marcou o momento em que o povo francês se levantou contra o sistema absolutista vigente.
Esta primeira etapa ficou conhecida como Era das Instituições ou período da Monarquia Constitucional, caracterizando-se pelo avanço da alta burguesia francesa contra o Absolutismo Monárquico e os privilégios aristocráticos, ao mesmo tempo em que buscava impedir a ascensão das camadas populares ao poder.
Divisão Política do Terceiro Estado
O Terceiro Estado encontrava-se dividido fundamentalmente em dois grupos políticos distintos:
A disposição física dos deputados na Assembleia deu origem aos termos políticos modernos de "direita" e "esquerda", baseados literalmente na posição que ocupavam no hemiciclo.
Girondinos
- Grupo de deputados que ocupavam os assentos do lado direito na Assembleia
- Comprometidos com os princípios liberais de propriedade privada e livre iniciativa
- Representavam os interesses da burguesia mais moderada
Jacobinos
- Grupo de radicais que se posicionavam no lado esquerdo da Assembleia
- Defendiam um discurso em favour das classes populares
- Propunham um regime político mais democrático
A Agenda Reformista dos Girondinos
Os girondinos desenvolveram uma ambiciosa agenda de reformas que incluía:
- Eliminação dos privilégios aristocráticos
- Abolição das relações feudais baseadas na servidão pessoal
- Organização de uma Guarda Nacional voluntária e patriótica
- Estabelecimento da subordinação do clero ao Estado
- Início de um projeto de constituição
Documentos Fundamentais
Dois documentos marcaram profundamente este período:
Estes dois documentos representam marcos fundamentais não apenas da Revolução Francesa, mas de toda a história dos direitos humanos e da organização do Estado moderno.
Constituição Civil do Clero (12 de julho de 1790)
- Confirmava a sujeição do clero católico ao Estado francês
- Transformava os religiosos em funcionários públicos
- Determinava que as propriedades eclesiásticas seriam administradas pelo governo
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (26 de agosto de 1789)
- Documento de caráter iluminista que protegia o indivíduo
- Estabelecia princípios como igualdade civil, liberdade individual e direito de luta contra a tirania
- Buscava o bem comum e o direito de propriedade privada, especialmente burguês
A Tentativa de Fuga do Rei
O episódio da fuga do rei, quando Luís XVI foi capturado na cidade fronteiriça de Varennes, comprometeu definitivamente o projeto girondino de uma Monarquia Constitucional. Isso despertou suspeitas de que o monarca pretendia organizar uma contrarrevolução com estrangeiros e nobres emigrados.
A Convenção Nacional (1792-1795)
Radicalização do Processo Revolucionário
Antes do início da Convenção Nacional, o processo já estava sendo dominado pelos girondinos. No entanto, a execução do rei Luís XVI abriu caminho para uma radicalização intensa. Os jacobinos, apoiados pelas classes populares parisienses (chamadas de sans-culottes), começaram uma mobilização nacional em favour de medidas revolucionárias mais profundas.
O termo "sans-culottes" (literalmente "sem calções") referia-se às classes populares urbanas que usavam calças compridas ao invés dos calções curtos típicos da aristocracia, tornando-se um símbolo de identidade revolucionária.
Medidas Revolucionárias Radicais
As principais transformações implementadas incluíram:
- Abolição completa dos direitos feudais sobre a propriedade
- Legislação favorável à divisão da propriedade no campo
- Concessão do ensino público gratuito
- Elaboração de uma nova Carta constitucional
- Extensão do direito de voto para todos os homens, independentemente da renda
- Abolição da escravidão nas colônias francesas
O Período do Terror e Robespierre
A Convenção Nacional elaborou a Lei dos Máximos, estabelecendo tetos de preços para diversos produtos essenciais. Os jacobinos, liderados por Maximilien Robespierre, promoveram uma guinada popular radical no processo revolucionário.
Robespierre, apelidado de "o incorruptível", defendia o rompimento total com o passado aristocrático francês. Sua visão de "cidadão" simbolizava uma sociedade que buscava algo além da igualdade civil do período anterior.
A formação de uma coalizão contra a França, composta por Inglaterra, Sacro Império Romano-Germânico e Holanda, representou uma séria ameaça externa à revolução, justificando muitas das medidas extremas adotadas durante o Terror.
O Comitê de Salvação Pública
Foi criado o Comitê de Salvação Pública, que concentrava poderes extraordinários e, na prática, governou a França durante um período ditatorial. Este comitê suspendeu os direitos individuais previstos na Constituição em casos de suspeita de envolvimento em atividades contrarrevolucionárias.
O período ficou conhecido como Terror, quando a guilhotina se tornou instrumento de eliminação dos inimigos da Revolução. Robespierre foi posteriormente executado, encerrando a fase mais radical do processo revolucionário francês.
O período do Terror, embora tenha durado apenas cerca de um ano (1793-1794), resultou na execução de aproximadamente 17.000 pessoas e marcou profundamente a memória coletiva francesa.
O Diretório (1794-1799)
O Retorno da Alta Burguesia ao Poder
A fase do Diretório marcou o retorno da alta burguesia francesa ao poder e representou um retrocesso em relação aos avanços sociais conquistados no período anterior. Os girondinos voltaram a enfrentar os maiores desafios existentes desde a proclamação da Assembleia Nacional em 1789.
O nome "Diretório" deriva do fato de o poder executivo ser exercido por um colegiado de cinco membros, chamado de Diretório Executivo.
O objetivo era conjugar um governo moderado que acabasse com a possibilidade de retorno da aristocracia ao poder, evitando simultaneamente a ascensão das classes populares ou radicais de esquerda que mobilizassem os sans-culottes em uma nova experiência jacobina.
Reorganização Política
As primeiras medidas do Diretório focaram na reestruturação da forma de governo na França:
- Novo regime político composto por um Legislativo bicameral
- Existência de uma Câmara de Deputados e um Senado
- Executivo formado por cinco membros indicados pelo Legislativo
- Uma nova Constituição foi votada em 1795
Eliminação dos Vestígios Jacobinos
O Diretório preocupou-se em eliminar os traços deixados pelo período radical jacobino:
- Os Comitês e o Tribunal revolucionário foram abolidos
- O próprio Clube Jacobino foi declarado ilegal
- A Lei dos Máximos foi revogada
- Medidas foram tomadas para reprimir manifestações populares
- A escravidão foi restabelecida nas colônias
A revogação de muitas conquistas sociais do período jacobino gerou descontentamento entre as classes populares e contribuiu para a instabilidade política do Diretório.
Instabilidade e Conspirações
Apesar do novo regime demonstrar vontade de reconstruir a nação a partir de uma base moderada burguesa, a fragilidade do governo se revelou através das reações aristocráticas e populares que ameaçaram a ordem estabelecida.
A despeito das vitórias militares no exterior contra as coligações europeias, a suspeita de que grupos aristocráticos estariam articulando movimentos contrarrevolucionários deixou o governo em alerta. Entre os vários movimentos contra o Diretório, destaca-se a "Conspiração dos Iguais", arquitetada por Graco Babeuf, que suscitava muitas realizações populares dos jacobinos na fase anterior.
A Ascensão de Napoleão
A instabilidade governamental favoreceu a ambição pessoal do general Napoleão Bonaparte, que realizou seu próprio golpe de Estado contra o Diretório, fechando-o e iniciando um processo que conduziria o governo da França para uma nova ditadura. O período napoleônico, apesar de autoritário como o "despotismo da liberdade" dos jacobinos, não comprometeu as classes populares, mas caracterizou-se por um acordo tácito com os setores burgueses existentes para proteger a propriedade privada e evitar a ascensão do radicalismo jacobino ou das classes populares ao poder.
Pontos-Chave para Lembrar:
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A Revolução Francesa passou por três fases principais: Assembleia Nacional (1789-1792), Convenção Nacional (1792-1795) e Diretório (1794-1799), cada uma com características políticas distintas.
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Os grupos políticos se dividiam entre moderados e radicais: Os girondinos representavam a burguesia moderada, enquanto os jacobinos defendiam posições mais radicais em favour das classes populares.
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Documentos fundamentais estabeleceram os princípios revolucionários: A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e a Constituição Civil do Clero marcaram a transição do Antigo Regime para a nova ordem.
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O período do Terror foi o auge da radicalização: Sob a liderança de Robespierre, os jacobinos implementaram medidas revolucionárias profundas, mas também promoveram perseguições políticas intensas.
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O Diretório representou uma tentativa de estabilização burguesa: Buscou um meio-termo entre o radicalismo jacobino e o retorno do Antigo Regime, mas sua instabilidade abriu caminho para o golpe napoleônico.