Simbolismo (ENEM Literatura): Notas de revisão
Simbolismo
Introdução ao movimento simbolista
O Simbolismo surgiu como um movimento literário e artístico que revolucionou a forma de fazer poesia no final do século XIX. Diferente das escolas anteriores que priorizavam a objetividade e a descrição da realidade, o Simbolismo voltou-se para o mundo interior, para as sensações e para a expressão do inexprimível através de símbolos e sugestões.
A essência do movimento pode ser resumida na ideia de que "a poesia universal é toda ela na essência simbólica", ou seja, os símbolos sempre estiveram presentes na literatura, mas agora ganham protagonismo como forma de comunicar aquilo que as palavras comuns não conseguem expressar diretamente.
Contexto histórico mundial
O Simbolismo nasceu na França durante a década de 1880, em um período marcado por grandes transformações sociais e científicas. O final do século XIX trouxe consigo um grande desenvolvimento científico e o fortalecimento da filosofia materialista, criando um cenário de tensão entre razão e emoção.
A virada do século gerou divisões e temores na sociedade, que já não encontrava respostas nas correntes materialistas e racionalistas dominantes. O processo de industrialização criou desordenadamente novos centros urbanos, gerando animosidades entre as potências e alimentando conflitos que culminariam na Primeira Guerra Mundial em 1914.
Nesse contexto de incertezas, era difícil imaginar como explicar o mundo racionalmente, já que a negação da materialidade ressurgia com força. As teorias de Freud ganhavam espaço, trazendo as ideias do subconsciente e do inconsciente, preparando terreno para quem quisesse mergulhar na alma humana.
Contexto histórico brasileiro
No Brasil, o Simbolismo coincidiu com a consolidação da República e a presença de ideias positivistas e materialistas. Porém, como o país não estava diretamente ligado ao processo de industrialização europeu, acabou não sendo atingido pelas mesmas consequências e incertezas que afetaram a Europa.
O Brasil vivia ainda a consolidação da República Federalista, enfrentando conflitos internos sangrentos como a Revolução Federalista no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A Revolução da Armada também gerou instabilidade política, com os confrontos das novas forças da Marinha.
Esses eventos históricos reafirmaram a imposição do materialismo e do racionalismo, deixando a frustração, a angústia e a falta de perspectivas como pano de fundo para a literatura simbolista brasileira.
Características da estética simbolista
O Simbolismo representa uma reação do espírito sobre a matéria, da intuição sobre a lógica, do subjetivismo ao objetivismo. Assim, é possível perceber que, mesmo pertencendo a uma mesma época, o Simbolismo se opõe ao Realismo e ao Naturalismo ao negar seu cientificismo e seu materialismo, buscando também a impossibilidade e a objetividade do Parnasianismo.
Principais características:
Subjetividade e espiritualidade: Os simbolistas buscavam o vazio da alma, explorando o tédio, a loucura e as sensações mais profundas. As descrições eram nebulosas, como se houvesse uma cortina de fumaça diante dos olhos do poeta, criando uma preocupação com a essência do universo expressa pela alma do homem.
Linguagem simbólica: A linguagem é carregada de símbolos e busca retratar os sentidos, usando sinestesias, aliterações e assonâncias na introdução da musicalidade. A linguagem se torna instrumento para retratar a realidade, de modo que o poeta busca sugerir em vez de nomear diretamente.
Musicalidade: O simbolista busca o vazio da alma, explora o tédio, busca o vago, o sonho, a loucura. A personalização de conceitos alegóricos facilita a expressão poética através de palavras com iniciais maiúsculas, transformando conceitos ou elementos totalizantes em personagens capazes de interagir com o interior humano.
Principais autores simbolistas mundiais
Charles Baudelaire (1821-1867)
Poeta francês considerado um dos principais precursores do Simbolismo. Influenciou a poesia mundial ao ser acusado de denunciar a moral da sociedade da época, sendo multado pela publicação de seus poemas. Popularizou a temática spleen - a decadência, o tédio, a melancolia, a inércia e o tédio.
Foi também teórico e, nesses textos, traçou as características da produção moderna, resistindo ao aspecto transitório da sociedade, captando e expressando por essa literatura.
Stéphane Mallarmé (1842-1898)
Poeta francês que foi o principal crítico do Parnasianismo e defendeu que não poderia haver estética em se apresentar diretamente a realidade. Concebia o poema como "mistério", auxiliando nessa missão o artifício de inverter a sintaxe das frases, resultando na dificuldade de compreensão.
Paul Verlaine (1844-1896)
Poeta francês cuja vida foi considerada escandalosa, refletindo a contradição entre uma conduta deplorável e um ideal quase primitivo de pureza e misticismo. Entre as atribuições de sua vida, Verlaine abandonou mulher e filho para viver um romance homossexual com o jovem poeta Arthur Rimbaud.
Autores simbolistas brasileiros
Cruz e Sousa (1861-1898)
João da Cruz nasceu em Desterro (atual Florianópolis), filho de escravos negros. Apesar de sua origem humilde, recebeu educação refinada e tornou-se o maior representante do Simbolismo brasileiro. Sua vida foi marcada por humilhações e pobreza devido ao preconceito racial, mas conseguiu um emprego na Estrada de Ferro Central do Brasil.
Sua poesia é evidentemente marcada por essas desgraças, apresentando-se inicialmente como subjetiva e angustiada, tratando da dor e do sofrimento do homem negro. Sua obra apresenta rica diversidade temática, incluindo a anulação da matéria para a liberação do espírito, a valorização da morte, o culto da noite, o pessimismo e até mesmo certo satanismo.
Principais obras:
- Broquéis (1893): Coletânea de poemas que marca o início do Simbolismo no Brasil
- Missal (1893): Obra em prosa poética
- Evocações (1898): Prosa
- Últimos Sonetos (1905): Publicação póstuma
Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)
Afonso Henriques da Costa Guimaraens nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Formou-se em Direito em São Paulo, onde teve contato com um grupo de poetas simbolistas. Tornou-se promotor público em Minas Gerais, mas sua grande desilusão amorosa aconteceu quando perdeu sua noiva, Constança, que tinha apenas dezessete anos.
Mesmo tendo se casado mais tarde e esquecido da morte da amada, esse amor permaneceu presente em toda sua obra. Tratou-se em Mariana, onde conheceu como o "Solitário de Mariana", vivendo com a esposa e seus catorze filhos.
Exemplo de Temática Central
Sua temática central girava em torno da morte, possibilitando o contato com a geração ultrarromântica. Chegou a ser considerado como o poeta mais místico de nossa literatura, sempre retratando o amor pela noiva morta e sua profunda religiosidade e devoção pela Virgem Maria.
Características de sua obra:
- Ambiente de igreja e religiosidade
- Referências ao corpo da amada, ao esquife, às orações
- Aspectos do inconsciente desencadeados pela imaginação
- Linguagem uniforme e equilibrada
- Drama sentimental constante
- Tendência à autopiedade
Diferenças entre simbolismo e outras escolas
O Simbolismo se opõe frontalmente ao Realismo, Naturalismo e Parnasianismo por negar o cientificismo e o materialismo dessas escolas. Enquanto as escolas anteriores buscavam a objetividade e a precisão linguística, o Simbolismo propõe:
Principais Oposições:
- Subjetividade em oposição à objetividade
- Sugestão em vez de descrição direta
- Musicalidade contra a rigidez formal parnasiana
- Espiritualidade em contraposição ao materialismo
- Simbolismo versus realismo descritivo
Pontos essenciais para lembrar
Principais Aspectos do Simbolismo:
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O Simbolismo surge como reação ao materialismo do final do século XIX, priorizando a subjetividade e a espiritualidade sobre a razão e a ciência
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As principais características são: linguagem simbólica, musicalidade, sinestesia, busca pelo absoluto e expressão do inexprimível através de sugestões
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Cruz e Sousa é considerado o maior representante do Simbolismo brasileiro, com obras como "Broquéis" e "Missal", marcadas pela experiência do preconceito racial
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Alphonsus de Guimaraens desenvolveu uma poesia mística e melancólica, centrada na morte da amada e na religiosidade, sendo conhecido como o "Solitário de Mariana"
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O movimento se caracteriza pela oposição ao Realismo, Naturalismo e Parnasianismo, buscando expressar o mundo interior através de símbolos e não da descrição objetiva da realidade